Se o governo Uribe e sua política de ‘Segurança Democrática’, apoiado logística, política e militarmente pelos Estados Unidos, e também na violência das forças paramilitares cuja ação persiste, se aferrar em qualificar as Farc e o ELN de grupos terroristas e na possibilidade de dobrá-los e derrotá-los manu militari e se Manuel “Tirofijo” Marulanda, isolado politicamente do povo colombiano, prosseguir em sua estratégia de seqüestros de civis e atentados a alvos públicos, imagina poder tomar o poder pela força das armas na Colômbia, estará petrificado o impasse e bloqueado o caminho para o acordo humanitário e para as eventuais subseqüentes negociações de uma paz democrática e justa, fundada na justiça social.
O conflito armado colombiano que já dura 44 anos não terá solução no campo bélico e muitos anos mais – e muitos seqüestros, mortes, assassinatos, atentados, violações de direitos humanos, de lado a lado – se passarão, sem que tenha fim. As vozes mais acatadas da esquerda mundial há muito vêm reafirmando que um exército guerrilheiro em luta contra a opressão tirânica do governo e das forças dominantes só se torna vitorioso – e em curto espaço de tempo - se contar com o apoio crescente de vastos setores da população. Caso contrário, perdendo apoio popular, se estiola, deixa de ter influência política, isola-se e começa a optar por soluções que escapam de seus objetivos originais.
Quando o presidente Chávez propôs publicamente um minucioso plano para a libertação das reféns Clara Rojas e Consuelo de Perdomo e do pequeno Emanuel, obtendo incontinenti o apoio do governo do Brasil, da Argentina, da França, da Suíça, de Cuba, do Equador, da Bolívia, as vozes da direita, acolhidas em nossa grande imprensa, acoimaram a operação de “show mediático”, e colocaram a política acima do humano, menosprezando o culto à vida humana, desprezando o fato de que essas cidadãs não regressariam aos seus lares se não fosse por um intercâmbio humanitário. E essas mesmas vozes soltaram rojões quando, num primeiro momento, a operação, marcada pela intervenção ‘cortina de fumaça’ do presidente Uribe, na presença de emissários e garantes governamentais dos diversos países, não pôde ter andamento, atribuindo a Chávez o seu fiasco. Dias depois, levada a cabo a libertação prometida das reféns, diante da extraordinária repercussão mundial, a nossa mídia e a mídia internacional, aquelas que reproduzem as vozes da direita, abriram espaços para os relatos dos maus tratos e ofensas à dignidade humana revelados pelas reféns, mas esconderam, maliciosamente, desses mesmos relatos que as operações militares com bombas e rajadas de metralhadora a partir de helicópteros continuavam ininterruptas nos dias previstos para o resgate, apesar de Uribe e seus ministros jurarem que estavam suspensas.
No dia seguinte à libertação de Clara e Consuelo, o presidente Chávez, da tribuna da Assembléia Nacional venezuelana, propôs que se retirasse as Farc e a ELN da lista de grupos terroristas e as considerasse forças insurgentes ou beligerantes com objetivos políticos, como forma de abrir espaço para o acordo humanitário e as negociações de paz. O governo dos Estados Unidos, a União Européia e o governo Uribe prontamente repeliram a sugestão. Outros governos, como o brasileiro e o argentino que não qualificam as Farc como terrorista, tampouco acolheram a idéia. O governo colombiano em especial agiu de forma hipócrita ao rechaçar a proposta de Chávez de reconhecer politicamente a guerrilha, enquanto busca com afã esse status para os paramilitares de ultradireita. Vale lembrar que o IRA da Irlanda, ETA da Espanha - País Basco, a FMLN de El Salvador, a OLP de Arafat, para citar alguns exemplos, foram a seu tempo qualificados de terroristas e nem por isso deixaram de sentar-se às mesas de negociação. Não faz muito, Sarkozy recebeu feericamente a Kadafhi, longamente tido como terrorista, abrindo-lhe até os jardins do Palácio Eliseu p
Grupo terrorista ou força beligerante?
Por Max Altman - Se o governo Uribe e sua política de ‘Segurança Democrática’, apoiado logística, política e militarmente pelos Estados Unidos, e também na violência das forças paramilitares cuja ação persiste, se aferrar em qualificar as Farc e o ELN de grupos terroristas... (Leia Mais)
Quarta, 16 de Janeiro de 2008 às 07:15, por: CdB