Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2026

Grupo pede alteração no projeto que cria ministério da microempresa

Sexta, 29 de Abril de 2011 às 10:30, por: CdB

Manifestantes ligados ao Fórum Brasileiro de Economia Solidária querem outro novo órgão do Executivo, só para cuidar do trabalho associado e cooperado.

Manifestantes vieram à Câmara para pedir a retirada da economia solidária da proposta (PL 865/11) que cria a Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Com status de ministério, o novo órgão participará da formulação de políticas de cooperativismo, associativismo, microempreendedorismo e microcrédito. Também vai absorver o Conselho Nacional de Economia Solidária e as competências relativas a cooperativismo e associativismo urbanos do Ministério do Trabalho e Emprego.

Rizoneide Amorim, da Coordenação Executiva do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, afirmou que o movimento não é contra a criação da secretaria, mas por um Ministério da Economia Solidária, para tratar apenas do trabalho associado e cooperado. Segundo Rizoneide, isso se justifica pela diferença de princípios entre a economia solidária e o microempreendedorismo.

“Enquanto a micro e pequena empresa privilegia o trabalho individual e assalariado, em que coexistem o patrão e o empregado, na economia solidária é o contrário: reivindica-se a luta pelo trabalho cooperado”, disse.

Segundo Rizoneide, no Brasil, existem mais de 2 milhões de pessoas envolvidas em cerca de 40 mil empreendimentos de economia solidária, que vão desde bancos comunitários e cooperativas de crédito a produtores e comerciantes de alimentos e produtos artesanais e industrializados. Os princípios que regem o movimento, explica Rizoneide, são autogestão, democracia e relações transparentes.

Diferenças
O relator do projeto na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, deputado Eudes Xavier (PT-CE), concorda que existem diferenças entre os dois setores. Mas afirma que os movimentos devem aproveitar este momento em que o governo apresenta um projeto para fortalecer tanto a economia solidária quanto as micro e pequenas empresas.

“Meu parecer será baseado na negociação com o governo, para que, ao final, sejam fortalecidas tanto a micro e pequena empresa quanto a economia solidária. As diferenças filosóficas e de organização, cada movimento vai fazer no dia a dia. Penso que é um momento de muita oportunidade para os dois setores, da micro e pequena empresa e principalmente para a economia solidária”, afirmou.

Segundo Eudes Xavier, um grupo de trabalho com representantes dos dois setores foi criado para discutir e melhorar o projeto em audiências públicas e em negociações com o governo. Após análise na Comissão de Trabalho, a proposta que cria a secretaria passará pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:PL-865/2011Reportagem – Verônica Lima/Rádio Câmara
Edição – Ralph Machado

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