Os antigos inimigos Índia e Paquistão deveriam normalizar suas relações gradualmente, concentrando-se nas áreas de comércio e de transporte ao invés de tentando forçar um acordo sobre a disputa em torno da Caxemira, disse um importante think-tank.
O Grupo Internacional de Crise (ICG), com sede em Bruxelas, ofereceu suas recomendações pouco antes de autoridades dos dois países darem início a uma rodada de negociações em Nova Délhi no próximo domingo.
Essa será a primeira vez que os países rivais, ambos detentores de armas nucleares, discutirão formalmente a questão da Caxemira desde a malsucedida cúpula entre o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e o então primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee, na metade de 2001.
"O clima de desconfiança é tão intenso, os obstáculos para a paz vindos dos dois lados tão altos, que parece ser impossível o estabelecimento de um plano de paz amplo no futuro próximo", afirmou o ICG.
No relatório de 24 de junho o grupo elogia a melhora das relações entre os dois países, que estiveram à beira de uma guerra na metade de 2002, mas aconselha o Paquistão e a Índia a não marcarem de forma precipitada uma cúpula de paz.
"Como as fundações da paz não foram lançadas, é provável que fracasse qualquer tentativa de avançar em meio a uma cúpula na qual se depositem muitas expectativas. Isso poderia levar a um agravamento das tensões. Os primeiros passos deveriam buscar diminuir o nível de tensão e aproximar os países em áreas menos polêmicas".
O Paquistão e a Índia já adotaram as chamadas "medidas promovedoras de confiança", entre as quais o restabelecimento de laços diplomáticos, a reabertura de estradas e de linhas de trem e a retomada dos vôos comerciais entre os dois países.
O ICG sugeriu a adoção de outros passos nesse sentido, como a promoção do contato regular entre parlamentares e a realização de patrulhas conjuntas na Caxemira. O aprofundamento dos laços econômicos também era fundamental para o processo de paz, afirmou o grupo.