Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Grupo humanitário deixa o Afeganistão depois de 20 anos

Quarta, 28 de Julho de 2004 às 05:46, por: CdB

O grupo humanitário "Médicos sem Fronteiras" (MSF) anunciou nesta quarta-feira que estava saindo do Afeganistão, depois de mais de 20 anos de serviços, devido a problemas de segurança e a não ter conseguido avançar na investigação sobre a morte de cinco integrantes do grupo.

Um comunicado da organização também queixou-se da cooptação de trabalhadores voluntários por parte dos militares norte-americanos, uma referência à preocupação de que as forças dos Estados Unidos desrespeitam os limites entre trabalho militar e humanitário. "Claro que foram as mortes de nossos colegas. Mas, além disso, estamos muito descontentes com a investigação", disse uma porta-voz da MSF em Cabul.

O MSF chegou ao Afeganistão em 1980, logo após a invasão soviética, e é uma das poucas organizações a permanecer no país durante a ocupação da URSS, enfrentando a guerra civil em 1990 e o comando da milícia Taliban, que foi derrubado no final de 2001.

A decisão da agência, que já ganhou um Nobel, é um duro golpe para as autoridades afegãs, que contam com as Nações Unidas e com outros grupos de ajuda humanitária para a reconstrução do país.

A retirada ainda é sinal da deterioração da segurança, apesar da presença de cerca 20 mil soldados norte-americanos e 6.500 soldados da força de paz da Otan. Ambas as forças estão lutando para levar estabilidade ao país antes das eleições presidenciais em outubro.

Três integrantes estrangeiros do MSF - uma mulher belga, um norueguês e um holandês - foram mortos em junho junto com dois trabalhadores afegãos em uma rua isolada na província de Badghis, que até então era considerada relativamente segura.

O veículo dos três integrantes foi atacado por um homem armado com granadas, e as suspeitas iniciais recaíram sobre o Taliban, que havia prometido alvejar grupos de ajuda como parte da revolta que matou cerca de 900 pessoas no ano passado.

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