O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou neste sábado que o G20 efetivamente substitui o G8, das nações mais industrializadas do mundo, nas discussões econômicas globais. Ele participa, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da reunião em Washington dos líderes do G20, que inclui as principais economias do mundo. Segundo Amorim, tanto o Brasil quanto os Estados Unidos estão satisfeitos com o documento oficial do encontro.
– Ele (o documento) inclui medidas desejadas para uma supervisão (financeira) maior e os passos coordenados para estimular a economia. Ele consolida o processo do G20. Eu acho que o G20 efetivamente substituiu o G8 – declarou ele.
De acordo com o ministro, o documento do encontro ainda determina novas discussões sobre a Rodada de Doha de liberalização comercial ainda em 2008.
– O documento inclui fortes referências sobre Doha, incluindo a determinação de que discussões oficiais sejam realizadas antes do final do ano – disse.
Trabalho unido
Líderes das maiores economias do mundo procuram aparar suas diferenças sobre um plano de emergência para conter a maior crise financeira em décadas. Presidentes e primeiros-ministros das potências globais sentaram-se com chefes de novas forças como o Brasil, a China e a Arábia Saudita para organizar uma resposta global para a crise. Sinais estão se levantando sobre um grave declínio econômico em várias partes do mundo, com a zona do euro entrando em recessão, de acordo com dados da semana passada, o desemprego crescendo nos Estados Unidos e em outros países e as economias emergentes desacelerando.
Com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, apenas dois meses distante de deixar a Casa Branca e o seu sucessor, Barack Obama, tendo escolhido se ausentar do encontro em Washington, as conversas de uma revisão de cima para baixo nas finanças mundiais têm sido moderadas. Mas líderes dizem que estão próximos de obter um acordo de mudanças, que incluem maior regulamentação para a indústria financeira mundial. Bush disse que o encontro de líderes procurava "um caminho para assegurar que uma crise como essa não deva ocorrer novamente".
– Estou satisfeito que os líderes reafirmaram os princípios de mercados abertos e livre comércio. Um dos perigos durante uma crise como esta é que as pessoas comecem a implementar medidas protecionistas. A crise não acabou. Há algum progresso sendo feito, mas ainda temos muito trabalho para fazer – afirmou Bush a repórteres.
Assim como uma nova regulamentação, líderes consideram caminhos para abrir instituições globais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para as economias emergentes, cujas reservas baseadas nas exportações as tornaram participantes-chave da economia mundial.
Conversa difícil
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que a aproximação de um período com baixa inflação criou a possibilidade de taxas de juros mais amenas e medidas de estímulo fiscal. Porém, ele descreveu as conversas do G20 como "difíceis".
– Serão negociações complicadas, porque os países estão vindo de posições muito diferentes e temos que juntá-las – disse Brown..
Brown tem exortado o G20 para agir em conjunto para estimular a atividade econômica através de meios fiscais e monetários.
– Isso é difícil para alguns países. Estamos em um ambiente no qual há inflação muito baixa e, portanto, mais espaço para ação – afirmou.
Medidas
Os líderes do G20 caminham para um plano de ação que implementará 50 medidas até o final de março, disse a chanceler alemã, Angela Merkel.
– Esse plano de ação mostra que estamos aptos a agir. O plano de ação vai ter cerca de 50 medidas, que deverão se tornar realidade até o final de março – disse ela a repórteres.
Para Merkel, trata-se de "um novo começo o que os líderes estão fazendo".
Autoridades das principais economias finalizaram um documento oficial para o encontro de líderes que indica a necessidade de melhor regulação dos mercados.
– O comunicado conterá princípios de que nenhum mercado financeiro, nem participante dos mercados financeiros ou nenhuma região possa ficar sem regulação ou supervisão – disse uma autoridade alemã que não quis ser identificada.
O texto aprovado, no final da tarde, expressa que "o trabalho (dos governos) será guiado por uma crença compartilhada de que os princípios do mercado, o comércio aberto e os regimes de investimento, mercados financeiros efetivamente regulados alimentarão o dinamismo, a inovação e o empreendedorismo que são essenciais para o crescimento econômico, emprego e redução da pobreza". O documento também pede que fundos de hedge sejam mais transparentes em suas operações.