Um levantamento feito por grupo de trabalho criado pelo Governo Federal para estudar causas e propor alternativas ao avanço do desmatamento revelou que 20% das áreas abertas pela agricultura ou pecuária na Amazônia não são ocupadas.
- Hoje temos na região 12 milhões de hectares abertos, mas não ocupados - comentou o Secretário Nacional de Desenvolvimento Sustentável, Gilney Viana, que esteve em Cuiabá para inaugurar mais uma rodada de debates sobre o futuro da região.
Em reunião de trabalho que durou toda a tarde da última sexta-feira, na Secretaria de Desenvolvimento Rural (Seder), ele tratou do assunto com representantes de órgãos públicos - Fema, Ibama e Funai, entre outros - e também de entidades ambientalistas e de produtores rurais.
Segundo ele, trata-se de uma "decorrência prática" da visita da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na última semana.
- Viemos novamente ouvir o Estado, mas não apenas os produtores rurais. E dizer que queremos que haja o crescimento econômico, mas sustentabilidade. E os números mostram que é possível atender a necessidade econômica somente aumentando a taxa de ocupação - afirmou o secretário.
Viana destacou que o Governo Federal vem estruturando o combate à predação da floresta a partir de quatro pontos: fiscalização, ordenamento territorial (zoneamento e regularização fundiária), infra-estrutura e financiamento.
O projeto é premiar com financiamento facilitado e isenção fiscal os produtores rurais que estabeleçam metas de produção com sustentabilidade ambiental.
- Será um incentivo econômico mesmo, para beneficiar quem estiver na linha. E vamos usar todos os instrumentos disponíveis: Basa (Banco da Amazônia), FCO (Fundo Constitucional do Centro Oeste) e o Banco do Brasil - adiantou.
Para o presidente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (IMEA), Amado de Oliveira Filho, a idéia é boa, mas não resolve o problema.
- Na produção de commodities, que depende de créditos da ordem de R$ 3 bilhões, o governo contribui com pouco mais de R$ 700 mil. O resto do dinheiro vem de fora - comentou Oliveira Filho.
Sobre as áreas desmatadas, mas não incorporadas à produção, ele assegurou que boa parte da culpa pela situação é do próprio Governo Federal.
- Hoje, na Amazônia Legal, o Banco do Brasil deve ter pelo menos 300 fazendas. Todas aquelas áreas estão abertas e improdutivas - disse o presidente do IMEA.
Grupo de trabalho propõe alternativa contra desmatamento da Amazônia
Sábado, 02 de Agosto de 2003 às 11:08, por: CdB