A vitória de João Castelo (PSDB) na disputa pela prefeitura de São Luís (MA) e o desfecho das eleições municipais no Estado representam a segunda grande derrota consecutiva do grupo Sarney e seus apoiadores. A avaliação é do historiador da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Wagner Cabral.
Para ele, os "grandes vitoriosos" destas eleições são o governador do Estado, Jackson Lago, e a Frente de Libertação do Maranhão, aliança criada por ocasião da última disputa pelo governo estadual entre Lago e Roseana Sarney. A frente, que impôs a primeira derrota ao grupo Sarney em 40 anos no Estado, é composta pelo PDT de Lago, PSDB de Castelo, além do PSB, PRB, PT e o próprio PCdoB do candidato derrotado nas urnas, Flávio Dino.
– Essa aliança, bastante heterogênea, foi quem elegeu Lago e tem o objetivo claro de derrotar a oligarquia Sarney – argumentou o historiador.
De acordo com Cabral, a coordenação da campanha de João Castelo foi “suficientemente inteligente” ao conseguir “esconder" o apoio do governador ao tucano, já que a gestão do pedetista tem sido bastante criticada na capital maranhense.
– Jackson apoiou Castelo nos bastidores, e essa colaboração foi decisiva – afirmou.
Além da derrota em São Luís, acentuou Cabral, o grupo Sarney também saiu derrotado no Estado como um todo. Dos 217 municípios maranhenses, dois terços passarão a ser administrados, a partir de janeiro de 2009, por prefeitos dos partidos que compõem a Frente de Libertação do Maranhão, liderada por PDT e PSDB. O PDT de Lago, por exemplo, salta de 10 prefeituras, em 2004, para 65 depois dessas eleições. Já o PSDB, que tinha nove municípios sob sua administração nas últimas eleições municipais, agora terá 25.
– A aliança tucano-pedetista sai ainda mais fortalecida, pois venceu nas duas principais cidades do estado - São Luís e Imperatriz – ressaltou Cabral.
Ele acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ter apoiado Flávio Dino, também sai fortalecido com o desfecho das eleições no Maranhão.
– Lula ainda conta com o apoio do ex-presidente José Sarney e da senadora Roseana, em nível nacional, e no Estado a aliança que elegeu Jackson e agora Castelo também compõe a base do governo – reparou.
Isso só foi possível, na avaliação do historiador, porque a coordenação da campanha tucana, sob responsabilidade de Duda Mendonça, que também foi responsável pela campanha de Lula à Presidência da República, soube fazer com que João Castelo não saísse das urnas deste domingo como opositor do presidente.