Um grupo de 14 militares venezuelanos difundiu uma mensagem pela televisão, nesta terça-feira, no qual se declarou em "desobediência legítima" ao Governo do presidente Hugo Chávez, que definiu como "regime autocrático". No entanto, em declarações à CNN em Espanhol, o vice-presidente José Vicente Rangel minimizou o pronunciamento dos militares e afirmou que a normalidade "reina no país". O general do Exército, Enrique Medina Gómez, leu um comunicado do grupo de militares dissidentes, pedindo a seus "companheiros de armas" que os apóiem nessa iniciativa e instando a população a tomar as ruas para protestar contra o governo, "tal como previsto na Constituição". "Para dar pleno apoio à vontade popular, convocamos a sociedade em geral para se declarar em desobediência civil", disse Gómez, que já é investigado pelo falido golpe de Estado de abril passado. Rangel, por sua vez, disse em entrevista à CNN em Espanhol, que a reação do Governo era de "absoluta tranqüilidade". "Esse pronunciamento não significa praticamente nada", declarou Rangel. "São os mesmos golpistas de abril e não têm influência alguma". Em 11 de abril passado, um grupo de militares chegou a afastar Chávez do cargo por quase 48 horas, mas o presidente voltou ao poder. O anúncio dos militares rebeldes acontece um dia depois de uma greve geral de 12 horas que a oposição organizou para pressionar Chávez a convocar eleições gerais e renunciar, terminando com a difícil situação que vive o país desde a tentativa de golpe. Até abril passado, Gómez era agregado militar da representação da Venezuela em Washington. Segundo Gómez, esses militares não estão "dispostos a se converter em cúmplices das violações dos direitos humanos, da liberdade, da democracia e do estado de direito na Venezuela sob pena de afiançar essa ditadura". Os militares venezuelanos pediram ao alto comando que "cumpra com uma responsabilidade histórica, respeitem a vontade do povo e não exerça ações que levam a um derramamento de sangue entre membros das Forças Armadas". Após o pronunciamento, o grupo de militares foi à praça Altamira, onde foram recebidos por centenas de manifestantes opositores.
Grupo de militares venezuelanos se declara em 'rebeldia legítima'
Um grupo de 14 militares venezuelanos difundiu uma mensagem pela televisão, nesta terça-feira, no qual se declarou em "desobediência legítima" ao Governo do presidente Hugo Chávez, que definiu como "regime autocrático". No entanto, em declarações à CNN em Espanhol, o vice-presidente José Vicente Rangel minimizou o pronunciamento dos militares e afirmou que a normalidade "reina no país".
Terça, 22 de Outubro de 2002 às 20:50, por: CdB