Grupo de dissidentes políticos cubanos deixa o país para viver na Espanha
Trinta e sete dissidentes políticos cubanos, acompanhados por cerca de 200 parentes, deixaram Cuba rumo à Espanha, onde chegaram na manhã desta sexta-feira. O voo foi fretado pelo governo espanhol. É o maior grupo de dissidentes políticos que deixa Cuba depois de um acordo, no ano passado, entre os governos espanhol e cubano e a Igreja Católica.
Trinta e sete dissidentes políticos cubanos, acompanhados por cerca de 200 parentes, deixaram Cuba rumo à Espanha, onde chegaram na manhã desta sexta-feira. O voo foi fretado pelo governo espanhol. É o maior grupo de dissidentes políticos que deixa Cuba depois de um acordo, no ano passado, entre os governos espanhol e cubano e a Igreja Católica.
No total, 115 prisioneiros políticos cubanos passaram a viver na Espanha. Um dos dissidentes que deixou Havana ontem é Orlando Fundora, que seguiu para Madri acompanhado pela mulher Yolanda Estupinan, que foi libertado há dois anos por questões de saúde.
As libertações ocorreram depois de uma longa negociação entre o governo de Cuba e o cardeal Jaime Ortega, da Igreja católica, sob mediação do governo da Espanha. Na ocasião, o acordo foi para libertar 52 dos 75 dissidentes políticos que foram detidos.
Pelo menos 12 dos presos políticos libertados recusaram-se a partir para a Espanha e insistiram em continuar em Cuba. De acordo com autoridades cubanas, no grupo que passou a viver na Espanha há também condenados por delitos como terrorismo e pirataria.
Jornalista libertado
Entre os exilados que deixaram a Ilha está o jornalista Albert Santiago Du Bouchet. Ex-diretor da agência independente de notícias Habana Press, Bouchet estava preso desde o dia 18 de abril de 2009 e cumpria uma pena de três anos de prisão por "desacato". Este foi o último jornalista que o regime comunista cubano mantinha encarcerado e não há nenhum outro cumprindo qualquer tipo de pena. A liberação ocorre após a visita do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, que negocia com o governo do presidente Barack Obama a suspensão do bloqueio econômico à ilha caribenha.
"Ainda que seja acompanhada de um exílio forçado, a libertação de Albert Santiago Du Bouchet tem um peso definido se recordarmos que Cuba era, há um ano, uma das principais prisões de jornalistas do mundo, junto com a China, o Irã e a Eritreia. Trata-se de um passo importante que tomamos nota e levaremos em conta", celebrou a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris.
"De sua parte, agora, a comunidade internacional deve apressar o processo de abertura para a Ilha. Os RSF chama novamente para o levantamento do injusto embargo que os EUA impõem a Cuba, desde 1962. Em nível europeu, a organização também sugere a reavaliação da posição comum que condiciona a normalização das relações diplomáticas a respeito dos direitos humanos na Ilha", diz o RSF em comunicado divulgado nesta sexta-feira.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.