Uma assistente social da prefeitura esteve no final da manhã desta segunda-feira no conjunto habitacional do Parque do Gato, em São Paulo, para marcar uma reunião entre moradores e representantes da Secretaria Municipal de Habitação. Ela foi recebida com protestos e negociou com líderes da comunidade de dentro de uma guarita de segurança.
Os moradores do Parque do Gato iniciaram sua manifestação no começo da manhã. Eles bloquearam as pistas local e expressa da marginal Tietê por três vezes, sempre reprimidos pela tropa de choque da PM. Em uma das ações para liberar o trânsito, a PM disparou balas de borracha e feriu ao menos duas mulheres. Uma delas, de 21 anos, trabalha como auxiliar de limpeza, mas faltou ao serviço em solidariedade aos vizinhos.
Em nota, a secretaria municipal de Habitação informou no final da manhã que existe uma ação de despejo contra uma unidade, mas outras 149 são suspeitas de cometer a mesma irregularidade.
De acordo com a Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação), a unidade foi alugada em nome de um rapaz mas, hoje, é ocupada por uma mulher, o que configura sublocação. Como os apartamentos não pertencem às famílias, mas sim à administração municipal, alugá-los ou comercializá-los é proibido.
Uma das reivindicações dos moradores do Parque do Gato que participam do protesto desta segunda-feira é, justamente, a alteração do contrato firmado com a prefeitura. Eles querem que o acordo passe a ter os moldes do feito pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).
Segundo Neusa Maria de Oliveira, 42, moradora do conjunto e coordenadora da Pastoral da Criança na comunidade, enquanto os beneficiados pela CDHU pagam 15% de seus salários por mês e, em 25 anos, obtêm a posse do imóvel; os beneficiados pela Cohab pagam 10% por mês, mas nunca se tornam proprietários --o programa tem caráter transitório.
Grupo ameaçado de despejo protesta na Marginal Tietê
Segunda, 27 de Agosto de 2007 às 14:01, por: CdB