Um novo grupo islâmico afirma ter seqüestrado a jornalista italiana Giuliana Sgrena na última sexta-feira, e ameaça matá-la amanhã caso o governo italiano não retire suas tropas do Iraque.
O grupo assumiu neste domingo a autoria do seqüestro, enquanto os serviços secretos trabalham com a hipótese de que ela possa estar em mãos de delinqüentes comuns. A segunda reivindicação chegou, como a primeira, através da internet. Neste caso, veio com a assinatura de uma autodenominada "Organização para a Jihad no país da Mesopotâmia".
A ameaça de matar a repórter em 48 horas é feita caso a Itália não anuncie antes a retirada de suas tropas do Iraque. Um texto de apenas dez linhas datado de 5 de fevereiro e publicado em www.alm2sda.net classifica o governo de Silvio Berlusconi de inimigo do Iraque e insta o povo italiano a se rebelar.
No mesmo dia do seqüestro, apareceu uma reivindicação em nome de uma suposta organização para a Jihad Islâmica no Iraque. Ela dava um prazo de 72 horas para a retirada dos soldados italianos de território iraquiano.
Tanto o governo, através de distintos contatos diplomáticos, como os serviços secretos, em colaboração com unidades de outros países, continuam fazendo gestões para tentar libertar a enviada especial do jornal de esquerda Il Manifesto.
O próprio ministro de Exteriores, Gianfranco Fini, que enviou alguns de seus colaboradores à zona, fez ontem um chamado para que Giuliana Sgrena seja libertada através das ondas da televisão por satélite catariana Al Jazira.
Fini pediu aos seqüestradores que a libertem porque ela é "uma amiga do Iraque" e destacou o espírito pacifista da jornalista, que sempre se mostrou contrária à guerra, como lembrou seu pai, o dirigente comunista Franco Sgrena.
Alguns destacados membros do Conselho dos Ulemás sunitas também pediram publicamente sua libertação, como Abdul Salam al-Kubaisi, que neste domingo disse que a repórter:
- Merece um prêmio e não um seqüestro - segundo publicam meios de comunicação italianos.
Fontes da investigação assinalaram que os serviços secretos italianos, que tinham muitas dúvidas sobre a autenticidade da primeira reivindicação, não descartam que a captura tenha sido obra de delinqüentes comuns.
O seqüestro de Giuliana Sgrena aconteceu ao meio-dia de sexta-feira nas imediações da mesquita de Al Kastl, onde a enviada especial de Il Manifesto tinha ido, acompanhada de seu interprete, para entrevistar um grupo de fugitivos de Faluja.
Grupo ameaça executar jornalista seqüestrada
Domingo, 06 de Fevereiro de 2005 às 16:12, por: CdB