Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Grupo ameaça executar jornalista seqüestrada

Domingo, 06 de Fevereiro de 2005 às 16:12, por: CdB

Um novo grupo islâmico afirma ter seqüestrado a jornalista italiana Giuliana Sgrena na última sexta-feira, e ameaça matá-la amanhã caso o governo italiano não retire suas tropas do Iraque.

O grupo assumiu neste domingo a autoria do seqüestro, enquanto os serviços secretos trabalham com a hipótese de que ela possa estar em mãos de delinqüentes comuns. A segunda reivindicação chegou, como a primeira, através da internet. Neste caso, veio com a assinatura de uma autodenominada "Organização para a Jihad no país da Mesopotâmia".

A ameaça de matar a repórter em 48 horas é feita caso a Itália não anuncie antes a retirada de suas tropas do Iraque. Um texto de apenas dez linhas datado de 5 de fevereiro e publicado em www.alm2sda.net classifica o governo de Silvio Berlusconi de inimigo do Iraque e insta o povo italiano a se rebelar.

No mesmo dia do seqüestro, apareceu uma reivindicação em nome de uma suposta organização para a Jihad Islâmica no Iraque. Ela dava um prazo de 72 horas para a retirada dos soldados italianos de território iraquiano.

Tanto o governo, através de distintos contatos diplomáticos, como os serviços secretos, em colaboração com unidades de outros países, continuam fazendo gestões para tentar libertar a enviada especial do jornal de esquerda Il Manifesto.

O próprio ministro de Exteriores, Gianfranco Fini, que enviou alguns de seus colaboradores à zona, fez ontem um chamado para que Giuliana Sgrena seja libertada através das ondas da televisão por satélite catariana Al Jazira.

Fini pediu aos seqüestradores que a libertem porque ela é "uma amiga do Iraque" e destacou o espírito pacifista da jornalista, que sempre se mostrou contrária à guerra, como lembrou seu pai, o dirigente comunista Franco Sgrena.

Alguns destacados membros do Conselho dos Ulemás sunitas também pediram publicamente sua libertação, como Abdul Salam al-Kubaisi, que neste domingo disse que a repórter:

- Merece um prêmio e não um seqüestro - segundo publicam meios de comunicação italianos.

Fontes da investigação assinalaram que os serviços secretos italianos, que tinham muitas dúvidas sobre a autenticidade da primeira reivindicação, não descartam que a captura tenha sido obra de delinqüentes comuns.

O seqüestro de Giuliana Sgrena aconteceu ao meio-dia de sexta-feira nas imediações da mesquita de Al Kastl, onde a enviada especial de Il Manifesto tinha ido, acompanhada de seu interprete, para entrevistar um grupo de fugitivos de Faluja.

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