Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Grito dos povos contra a destruição do cerrado

Segunda, 14 de Março de 2005 às 07:05, por: CdB

Três reflexões, rápidas e sucintas, para entender o mundo e o Maranhão. 

1. Sabemos todos, e tocamos com mão todo dia, que estamos vivendo num mundo globalizado. Este mundo globalizado é dirigido e governado pelos sete países mais ricos do mundo e pela quinhentas multinacionais, que se reúnem a cada seis meses para fazer o ponto da situação.

Este supergoverno mundial decidiu e dividiu o mundo em três blocos:

- O 1º bloco ( USA, EU, JAPÃO) reservou para si a alta tecnologia: informática,  biogenética, as armas sofisticadas (as atômicas e as de destruição de massa), o controle das fontes de energia e o controle das finanças (Dólar e Euro).

- O 2º bloco, formado prevalentemente pelos paises asiáticos, é destinado à produção industrial e dos objetos de consumo popular, pois possui mão de obra numerosa, barata e qualificada.

- O 3º bloco, formado pela América latina e África é destinado à produção de matérias primas: produtos agrícolas (soja, algodão, grãos...), madeira e minérios (ferro, carvão...).

Daí dá para entender o porque da monocultura da soja no Sul do Maranhão e porque o Pólo Siderúrgico do Norte do Maranhão. O Maranhão está perfeitamente inserido neste esquema mundial.

Produção em escala mundial de matérias prima significa: latifúndio, desmatamento, poluição, indústrias sujas, minas, carvão, trabalho escravo... Tudo o que o primeiro mundo já fez e que quer agora repassar para nós do terceiro bloco.

2. No dia 16 de fevereiro de 2005 entrou em vigor o Protocolo de Kyoto contra a emissão de poluentes no ar sobretudo o CO2 produzido pela combustão de materiais fósseis (petróleo, madeira, carvão) e que é responsável pelo aquecimento do planeta e pela mudança do clima. Assinaram 141 países. Não assinaram os Estados Unidos e a Austrália.

O aquecimento do planeta e a mudança de clima não é mais uma hipótese científica, é uma realidade. Existem dados científicos irrefutáveis. Existe um relatório do Pentágono entregue ao Presidente Bush que alerta que as conseqüências das mudanças climáticas criarão para a humanidade problemas muito mais graves do que o próprio terrorismo.

Em Kyoto se proclamou em alto e bom som: as florestas são a salvação do planeta. (1)

E nós temos florestas e as destruímos! Estamos destruindo o Cerrado, o segundo bioma mais importante do Brasil. Por que? Porque o agronegócio para prosperar tem que desmatar!

O Brasil desmata e queima. Por causa dos desmatamentos e das queimadas, a revista Isto É desta semana diz que o Brasil é o terceiro pais mais poluidor do mundo depois de USA e CHINA!

Os cientistas e os ecologistas nos dizem que coibir o desmatamento e as queimadas deve ser prioridade para o Brasil se quiser ser responsável diante dos acordos de Kyoto que ele assinou, pois, entre 2002 e 2003 o Brasil desmatou 24.000 Km2, uma área grande quanto a Bélgica ou quanto 2 milhões e 400.000 campos de futebol!.

Ao aderir ao Protocolo de Kyoto,141 países assumiram o compromisso de cumprir o mesmo objetivo global: a manutenção das condições de vida na Terra.

Se estas duas constatações são verdadeiras é preciso concluir, então, que foi oportuno o Seminário Bioma Cerrado; foi um Seminário em sintonia com a parte da humanidade preocupada com o futuro do planeta; foi um Seminário profético que nos indica como caminhar para fazer a história humana avançar e o Planeta viver.

3. Uma terceira reflexão. O Seminário Bioma Cerrado e este livro fruto deste Seminário não querem dizer que a Igreja de Balsas é de forma absoluta e radical contra o desenvolvimento do Sul do Maranhão, nem contra os plantadores de soja.

Não queremos acabar nem com a soja nem com os plantadores de soja. Queremos acabar com a "sojização" do Maranhão do Sul. Queremos acabar com um modelo que só vê a soja como solução da agricultura do Sul do Maranhão. Não é. Repetimos: A soja é um grande negócio econômico, mas é um enorme pr

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