Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Grito dos Excluídos ganha força na América Latina

Sábado, 06 de Setembro de 2003 às 12:09, por: CdB

 
Sete anos depois da primeira manifestação do Grito dos Excluídos, a campanha ligada à Igreja Católica conquistou apoio de diversos movimentos sociais, como a CUT e o MST. Neste ano, 2.500 municípios brasileiros e 22 países latino-americanos devem assistir a protestos em nome da soberania e da justiça social.

No início, não passava de uma marcha que tentava quebrar o protocolo dos pomposos desfiles oficiais de 7 de Setembro. Eram brasileiros pobres chamando a atenção para os problemas sociais do país. Nove anos depois, o movimento cresceu. Em 2003, o Grito dos Excluídos já consegue chegar a todas as grandes cidades do Brasil e do restante da América Latina.

- O Grito se expandiu porque é um facilitador das manifestações sociais. As pessoas estão cansadas do discurso de políticos e lideranças sindicais -, diz Luiz Bassegio, um dos principais coordenadores da campanha.

A previsão é que neste ano sejam realizadas manifestações em 2.500 municípios do país. Para o próximo dia 7, são esperadas milhões de pessoas nos desfiles locais. Os números devem superar 2002, quando as manifestações populares concentraram cerca de 150 mil pessoas apenas em Aparecida do Norte, interior de São Paulo, onde acontece a concentração da romaria dos trabalhadores e das marchas populares.

É íntima a ligação do Grito dos Excluídos com a Igreja Católica, apesar de diversas entidades terem se agregado à organização das manifestações (MST, CUT, Movimento dos Atingidos por Barragens, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e Campanha Jubileu).
O primeiro Grito dos Excluídos foi realizado em 7 de setembro de 1995 e teve como lema a vida em primeiro lugar. A iniciativa surgiu das Pastorais Sociais em 1994, devido à Campanha da Fraternidade daquele ano, que tinha o tema: "A fraternidade e os excluídos". O Grito nasceu da intenção de denunciar a exclusão e valorizar os sujeitos sociais. Na época, a campanha aconteceu em mais de 170 cidades e teve como símbolo uma panela vazia.

"Quem fala no Grito são os excluídos, mesmo que por meio de símbolos", defende Bassegio. Depois da panela vazia, veio o cartão vermelho ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Agora, em 2003, é a fita verde-amarela, representando a soberania brasileira, que remete ao lema do Grito deste ano: "Tirem as mãos, o Brasil é nosso chão". A divulgação da campanha é feita através de 120 mil cartazes e informativos, o dobro do que se tinha há nove anos.

Grito chega à América Latina

A expansão do movimento não se restringe ao Brasil. Pela 5ª vez, neste ano, 22 países da América devem engrossar as vozes do grito brasileiro para todo o continente. É o Grito Continental dos Excluídos, previsto para acontecer no próximo dia 12 de outubro, data que marca a resistência dos povos das Américas.

Não foi difícil unir os manifestantes. Os problemas sociais do Brasil são bem parecidos com os da América Latina, causados, por exemplo, pela dívida externa e a concentração de renda. A idéia de fazer um Grito Continental dos Excluídos surgiu durante simpósio da Dívida Externa, realizado pela CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), em Brasília, do qual participaram vários países da América Latina. A partir daí, 11 países se articularam em manifestações locais.

Entre as 22 nações que participam neste ano, estão pela primeira vez Costa Rica, Honduras, Panamá, Martinica e Trinidad Tobago. Assim como no Brasil, o Grito internacional é resultado de parcerias com os movimentos sociais locais de esquerda, pastorais sociais e organizações sindicais, mas com menor apoio formal da igreja.

Para Bassegio, essa expansão só aconteceu porque piorou a situação sócio-econômica dos países da América, em geral. Além da dívida externa, ele destaca como pontos em comum o desemprego generalizado, a degradação do trabalho e os grandes índices de economia informal. Em Porto Príncipe, capital do Haiti, por exem

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