Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Gripe A amplia espectro de infestação no país e faz nova vítima

Terça, 14 de Julho de 2009 às 08:40, por: CdB

O Rio Grande do Sul confirmou, nesta terça-feira, a terceira morte por gripe H1N1 no Brasil. A vítima, um menino de 9 anos da cidade de Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, contraiu a doença do irmão, que havia sido infectado por um professor que esteve na Argentina, segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul. O menino possuía problemas neurológicos crônicos, fator de risco para o agravamento da doença, informou o ministério.

A morte ocorreu no dia 5, mas somente agora exames confirmaram a contaminação pelo vírus H1N1. De acordo com o último boletim sobre registros da doença no país, divulgado pelo Ministério da Saúde na sexta-feira, há 1.027 casos confirmados no Brasil. Segundo o ministério, a letalidade da doença no país é de 0,29%.

"O ministério lamenta a ocorrência do terceiro óbito e reitera que todas as medidas vêm sendo tomadas... para diminuir a disseminação da doença e oferecer tratamento ágil em sua rede pública a todos que necessitem", disse o ministério, em nota divulgada na véspera. O Rio Grande do Sul é o segundo Estado brasileiro com maior número de casos da nova gripe, com 129 registros, atrás apenas de São Paulo, que teve 457 confirmações.

A primeira morte da gripe H1N1 no país também foi confirmada no Rio Grande do Sul, no mês passado. O paciente, um caminhoneiro de 29 anos, havia passado sete dias na Argentina. A confirmação da segunda morte causada pelo vírus no Brasil foi na sexta-feira, no Estado de São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde paulista, não se sabe como a vítima, de 11 anos, contraiu a doença, já que não houve relato de contato com pacientes infectados ou viagem ao exterior. O próximo boletim sobre gripe H1N1 no Brasil será divulgado pelo Ministério da Saúde na quarta-feira.

Vacina

As empresas farmacêuticas precisam de incentivos, incluindo patentes lucrativas, para continuar criando medicamentos e vacinas contra ameaças emergenciais, como a pandemia de gripe H1N1, disse a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta terça-feira.

– O progresso na saúde pública depende da inovação. Alguns dos grandes avanços na saúde vieram depois do desenvolvimento e introdução de novos medicamentos e vacinas – disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Chan, que no mês passado declarou uma pandemia total do vírus da gripe H1N1, disse que as patentes podem ajudar a garantir que as empresas desenvolvam remédios que "fiquem à frente do desenvolvimento da resistência aos medicamentos" em doenças como malária e tuberculose. A descoberta de infecções isoladas de H1N1 que resistem ao antiviral Tamiflu, fabricado pela Roche e pela Gilead, e a disputa global para garantir vacinas contra a gripe mostraram a importância da intensificação das atividades de pesquisa e desenvolvimento, disse Chan.

– A inovação é necessária para manter o ritmo de emergência com novas doenças, incluindo a gripe pandêmica, causada pelo novo vírus H1N1 – afirmou Chan, durante reunião sobre propriedade intelectual e saúde, uma questão política que tem dividido países ricos e pobres.

Em maio, durante a assembleia geral da OMS, países ricos e pobres não conseguiram chegar a um consenso sobre como devem compartilhar as amostras de vírus H1N1 e de outras variedades da gripe com as empresas que usam esse material biológico para a fabricação de vacinas. A Indonésia tem liderado os argumentos contrários, alegando que os países em desenvolvimento não terão como pagar pelas vacinas patenteadas feitas com essas amostras.

Chan disse que essas conversas sobre "um dos temas mais difíceis e polêmicos já negociados pela OMS" identificaram problemas com as patentes, mas disse que o regime atual de propriedade intelectual não precisa ser totalmente desmantelado.

– A pesquisa e o desenvolvimento podem de fato de ser dirigidas pela necessidade. Os acordos internacionais que governam o comércio podem de fato ser moldados de forma que favoreçam as necessidades de saúde dos mais pobres – disse ela.

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