A Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) suspendeu nesta quinta-feira os serviços de Sedex — sistema que entrega correspondências no mesmo dia — e de Disque-Coleta — atendimento em domicílio — devido à greve nacional, por tempo indeterminado, dos funcionários dos Correios. A ECT informou que avalia a interrupção do Sedex 10.
A categoria pede melhores condições de trabalho e aumento de salário. Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (Fentect), os trabalhadores querem reajuste salarial de 47,7%, mais reposição da inflação de 3,74%, além de um aumento linear de R$ 200 e a manutenção de benefícios.
A ECT ofereceu reajuste imediato de 3,74% e aumento de R$ 50 para janeiro, além de abono de R$ 400, pago em duas parcelas (uma imediata e outra no início de 2008). A proposta foi rejeitada.
Adesão
De acordo com estimativas de Manoel Cantoara, presidente da federação, cerca de 90% dos trabalhadores do país estão de braços cruzados - o equivalente a 97 mil pessoas. Já a ECT informa que as 12.329 agências de todo o Brasil estão abertas, recebendo correspondências, e que a paralisação é parcial e localizada.
Segundo a empresa, o setor mais prejudicado pela greve é o de distribuição, onde trabalham os carteiros. A assessoria dos Correios afirma que a adesão à paralisação varia de acordo com a região e que, geralmente, as cidades mais afetadas são Curitiba, Porto Alegre, Teresina e João Pessoa.
Entrega
A ECT afirma que entrega 32 milhões de objetos diariamente e que estão sendo implantados programas de contingência para garantir a distribuição das encomendas postadas. A empresa pretende manter o tráfego terrestre de 2,5 mil toneladas e aéreo de 800 toneladas de produtos.
Já a federação dos trabalhadores diz que entre 10% e 15% das correspondências devem ser entregues durante a greve. Ainda não foi marcada uma reunião de negociação entre as partes. A ECT já anunciou que vai descontar os dias parados.
No primeiro dia da greve, a Receita Federal realizou a Operação Leão Expresso 2, nos Correios de São Paulo. Foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em mercadorias irregulares. Quinze auditores ficais e analistas tributários participaram da ação, que começou às 2h e acabou por volta das 7h.
- Estávamos recebendo muitas denúncias de comércio irregular pela internet, de produtos que eram vendidos sem nota fiscal, ou eram superfaturados - explicou Edmur Venturoli, chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e ao Descaminho (Direp) da Receita Federal.