A greve dos Correios, iniciada na noite de quarta-feira, continua nesta sexta-feira. A direção da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) e o comando da greve dos funcionários da empresa não chegaram a um acordo sobre a paralisação durante reunião ocorrida no início da noite desta quinta, mas uma nova conversa ocorre nesta sexta.
As agências dos Correios funcionaram normalmente nesta quinta-feira e devem permanecer assim durante a greve. As agências em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, abriram --os funcionários de atendimento são, na maioria, terceirizados.
Porém, as agências continuam a não aceitar o envio dos produtos Sedex 10 e Sedex Hoje --todas elas fixam prazos de entrega, que não podem ter garantia de cumprimento por causa da adesão à greve mais forte no setor de distribuição e entre os carteiros. O Disque-Coleta (serviço de atendimento a domicílio) também não funcionou normalmente.
Os Correios informaram que além de cortar o ponto dos grevistas, estão contratando pessoal extra e transferindo funcionários da área administrativa para o setor operacional. As medidas integram um plano de contingência.
A pessoa que possui contas a vencer e que as receberiam nos próximos dias pelos Correios devem procurar os credores para obter outra forma de pagamento. 'Segundo o Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), a greve não significa que o cliente pode pagar seus débitos após o vencimento, a decisão depende da empresa que tem contas a receber.
A orientação é para que o consumidor entre em contato com a empresa e solicite outra forma de pagamento, segunda via por e-mail ou fax, por exemplo. O cliente só fica isento de pagar na data caso a empresa não disponibilize outra forma de pagamento, o que deve ser documentado de alguma forma pelo consumidor para ser válido.
Negociação
Nesta quinta-feira, o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, se comprometeu a formular uma nova proposta de reajuste salarial que será apresentada em reunião marcada para esta sexta.
— Discutimos alguns pontos com o presidente [Custódio], em especial a negociação sobre o plano de carreira e do plano de saúde. Ele se comprometeu a apresentar uma nova proposta — explicou José Gonçalves, representante do comando de negociação da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares).
Caso a proposta não seja aceita pelos sindicatos, os Correios disseram que irão procurar a Justiça trabalhista para iniciar o processo de dissídio (arbitragem do conflito).
O sindicato pede reajuste de 47,77% como reposição de perdas salariais do período de 1994 até hoje, um aumento linear de R$ 200, a negociação do plano de cargos e salários para a estatal e a contratação de mais 25 mil funcionários, em especial para o setor operacional.
Já a direção dos Correios fizeram antes da greve uma proposta de aumento linear de R$ 50 e reajuste salarial de 3,74%, o que significa um aumento entre 4,36% a 13,28%, conforme a faixa salarial, além de abono linear de R$ 400 e um vale-alimentação extra de R$ 391 em dezembro. Também oferecem isonomia no parcelamento da devolução do adiantamento de férias em até 5 vezes e aumento dos valores de todos os benefícios e gratificações, variando de 13,33% a 5%.
Os Correios informaram ainda que de 2002 até o último acordo o aumento acumulado foi de 103,35%, enquanto a variação do IPCA (índice que mede a inflação) no mesmo período foi de 46,87%. Para a empresa, isso significa que não há perda para ser recuperada.
Adesão
A adesão dos funcionários dos Correios à greve foi motivo de uma "briga de números" entre o sindicato e a direção da estatal na quinta-feira.
O sindicato aponta uma adesão de 80% dos 110 mil funcionários, concentrado no setor de distribuição. Segundo a entidade, apenas seis das 33 unidades centrais -Bauru (respons