Sindicatos sul-africanos que representam milhares de funcionários da empresa elétrica Eskom disseram na sexta-feira que ao menos por enquanto não vão entrar em greve por melhorias salariais, o que poderia prejudicar gravemente a continuidade da Copa do Mundo de futebol. A estatal e os sindicatos discutiram as reivindicações até o final da noite de quinta-feira, sem acordo. Mas na sexta-feira, em nota conjunta, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Minas (NUM, na sigla em inglês), o Sindicato Nacional de Metalúrgicos da África do Sul (Numsa) e o Solidariedade disseram que não vão declarar greve. "No momento, uma ação grevista não está nas cartas", disseram os sindicalistas.
O NUM, que representa cerca de metade dos 32 mil trabalhadores da Eskom, disse anteriormente que não havia solução na disputa salarial. Mas os sindicatos dizem que a greve continua sendo uma hipótese se a Eskom não melhorar a sua oferta atual até o dia 29. "Vamos seguir todo o devido processo exigido pela lei, e por consideração aos nossos compatriotas sul-africanos", disseram os sindicatos.
Na quinta-feira, o NUM obteve um certificado de que a disputa salarial não havia sido solucionada, o que pela lei local é o primeiro passo para a declaração de uma greve.
Analistas dizem que a ameaça de greve é uma forma de pressionar a Eskom a aumentar os salários e benefícios, mas que a paralisação não deve se concretizar. A Eskom diz que a greve seria ilegal por ameaçar um serviço essencial, e que os sindicatos ainda têm obrigação de negociar mais.
Uma greve no setor elétrico pode prejudicar as atividades de mineração no país, maior produtor mundial de platina e quarto maior de ouro. A cotação global dos metais poderia subir por causa disso. Num possível prenúncio de acordo, o NUM reduziu sua reivindicação de aumento de 15 para 9 por cento. A Eskom insiste na sua oferta de conceder aumento de 8 por cento e um abono para fins habitacionais.