A greve no transporte público na França continuará amanhã, apesar da adesão cada vez menor, quando haverá uma paralisação de 24 horas dos funcionários públicos, neste caso por reivindicações salariais.
As assembléias na companhia de ferrovias SNCF e na do metrô de Paris RATP decidiram hoje continuar com a greve de protesto contra a reforma dos regimes especiais de previdência, que beneficia seus trabalhadores.
As declarações dos dirigentes sindicais e do Governo sobre a disposição mútua em participar de negociações nas empresas, previstas para a partir da quarta-feira, não tiveram efeito para deter as novas convocações.
Mas a porcentagem de grevistas continuou minguando, pelo sexto dia consecutivo. A SNCF calcula agora a adesão em 26,2% dos trabalhadores, contra 32,2% de sexta-feira, e mais de 60% na quarta-feira passada, primeiro dia da greve. A RATP calculou em 18%, menos que os 23,3% da sexta e os 44% da quarta-feira.
As previsões da RATP para amanhã adiantam que a situação voltaria a ser "muito fortemente perturbada" com somente 20%-25% dos metrôs, o que permite prever outra vez dezenas de quilômetros de engarrafamentos pelas centenas de milhares de pessoas que optarão por sair de carro.
A greve tem causado sérios problemas a milhões de franceses e pesando na economia. A paralisação está custando à França entre 300 e 400 milhões de euros por dia, segundo o Governo.
Conscientes da falta de apoio da opinião pública, quatro centrais sindicais pediram que as negociações sejam antecipadas para antes de quarta-feira.
O conselheiro social do Palácio do Eliseu, Raymond Soubie considerou que "os elementos positivos se multiplicam" para acabar com a greve, o que para ele permite prever um retorno à normalidade nos transportes "até meados da semana".
De fato, tanto os sindicatos quanto o Governo fizeram gestos de aproximação: as centrais que continuam mantendo o indicativo de greve por tempo indeterminado aceitaram negociar, e o Executivo já não põe a volta total ao trabalho como condição prévia.
O primeiro-ministro, François Fillon, fez nesta segunda-feira um novo pedido pelo fim da greve, ressaltando além disso que a adesão tem sido "extremamente minoritária" e contra a opinião pública.
— O transporte tem que ser retomado progressivamente e os direitos dos usuários devem ser respeitados — disse Fillon em pronunciamento.
O chefe do Governo reiterou que não recuará nos "princípios" da reforma dos regimes especiais de aposentadoria.
Ele justificou que "há um mandato para fazer avançar esta reforma e para ir a uma harmonização" dos regimes especiais com os dos funcionários públicos e os trabalhadores do setor privado.
Em todo caso, ao caos dos transportes será acrescentada amanhã a paralisação de 24 horas convocada por todos os sindicatos dos 5,2 milhões de servidores públicos.
As centrais exigem maiores reajustes salariais porque denunciam uma perda de 6% no poder aquisitivo desde 2000. Além disso, querem protestar contra o corte de 22.921 postos de trabalho no setor público em 2008, metade na Educação.
Já o Governo alega que a categoria tem tido aumento real de 3,5% anual (em termos absolutos) há seis anos.
É justamente no setor da educação que a paralisação deve ter mais adesão - 65%, segundo o principal sindicato -, mas suas repercussões serão notadas também no correio e no controle de tráfego aéreo.
Como se fosse pouco, outro protesto na distribuição deixará as bancas sem jornais.