Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Greve Geral repudia privatização do cobre e convoca plebiscito sobre o assunto

Terça, 12 de Julho de 2011 às 13:41, por: CdB

Com Greve Geral de 24horas, realizada ontem (11), no Chile, 17 mil trabalhadores do cobre e outrascategorias repudiaram a omissão do governo frente à crescente privatização da Corporaçãodo Cobre (Codelco, na sigla em espanhol). A empresa foi criada em 11 de julhode 1971, pelo então presidente Salvador Allende, para firmar a nacionalizaçãodo cobre, antes nas mãos de transnacionais.

Durante a mobilização, aCodelco foi totalmente paralisada, segundo a Confederação dos Trabalhadores doCobre. De acordo com informações da Rádio Mundial, este foi o maior protesto nosetor, desde o fim da ditadura militar chilena. Os estudantes chilenos, em forte mobilização contraa privatização da Educação desde abril deste ano, somaram-se à Greve Geral emdefesa da Codelco, pois consideram que o controle sobre o Cobre nacional seriauma maneira de financiar a educação.

Os manifestantes deraminício ainda à Campanha Nacional, que deverá coletar dois milhões deassinaturas, até outubro deste ano, para realizar um Plebiscito Nacional com o objetivo derecuperar a gerência chilena sobre o Cobre.

Emcomunicado, a Confederação dos Trabalhadores do Cobre explica que anacionalização do recurso desencadeou o golpe militar que tirou SalvadorAllende do poder em 1973. A partir disso, o cobre foi retornando ao controledas multinacionais, o que descaracterizou a empresa estatal em seu objetivoinicial, que era prover educação, saúde e desenvolvimento industrial ao Chilepor meio dos recursos da exploração do cobre.

"O resultadoé que hoje Codelco controla apenas 30% do cobre que se explora e sai do país,enquanto que os 70% restantes ficaram em poder de empresas como Phelps Dodge,Anglo American, BHP Billiton e outras grandes transnacionais”, denuncia aConfederação.

De acordo com o Comandopelos Direitos Sociais e Populares, em nota, entre 1974 e 2005, osinvestimentos estrangeiros na mineração chilena somaram US$ 19.976 milhões e, a partirde 2006, houve um salto, ultrapassando os investimentos feitos em 31 anos:foram US$ 25.405 milhões investidos, apenasem 2006. "41% dos investimentos vêm de capital canadense, país cujo Estado ofereceeducação pública, saúde pública e mantém o sistema previdenciário”, destacam.

Somente em 2011, já somam US$ 34.632 milhões, quesegundo o Comando é o equivalente a 3,3 vezes todo o orçamento destinado àEducação e 7,3 vezes o destino à Saúde.

No mesmosentido, a Confederação dos Trabalhadores do Cobre afirma que nutre "esperança”que o cobre volte às mãos dos chilenos, para que se converta em "Saúde eEducação gratuita e de boa qualidade para todas as crianças e jovens do Chile,em uma previdência solidária e justa, em moradias dignas, em trabalho estável eseguro, em remunerações decentes, em justiça social e bem-estar para o povo eos trabalhadores”, ressaltam.

Atuação das transnacionais

Em janeirodeste ano, o Periódico Estrategia publicou texto no Observatório das Multinacionaisna América Latina em que revela os grupos internacionais com maior peso namineração chilena. São a angloaustraliana BHP Billiton (16,7% de participação),a anglo-sul-africana Anglo American (11,7%), a angloaustraliana Rio Tinto(6,1%) e a suíça Xstrata (5,6%). Atualmente, os investimentos chegariam a 20%do Produto Interno Bruto do país, segundo o Periódico Estrategia. Em geral, ocapital privado detém uma conta de 61,4% e a Codelco quase 39%.

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