Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Greve geral no Haiti chega ao segundo dia

Sexta, 09 de Janeiro de 2004 às 08:29, por: CdB

A greve geral convocada pela oposição haitiana para exigir a destituição do presidente Jean-Bertrand Aristide entra nesta sexta-feira, em seu segundo e último dia, sem que o Governo tenha dado qualquer resposta aos opositores.

Enquanto isso, os dirigentes da oposição, liderada pela Convergência Democrática, que reúne partidos políticos e organizações sociais, rejeitaram ontem a proposta americana para resolver a crise política atravessada por este país caribenho.

O secretário de Estado americano, Colin Powell, propôs à oposição e ao Governo que aceitem a proposta de diálogo apresentada pela Igreja católica em novembro do ano passado.

Nesta quinta-feira, a greve transcorreu sem incidentes violentos em todo o país e conseguiu paralisar o setor comercial, bancos e grandes centros de venda. Além disso, as escolas não abriram e foi observado que o baixo número de transportes durante a parte da manhã caiu consideravelmente à tarde.

A maioria dos postos de gasolina fechou e, nos que abriram, havia longas filas de automóveis.

Já os funcionários do setor público, que corriam o risco de serem demitidos por abandono de emprego caso aderissem à greve, foram trabalhar.

A Administração, os hospitais e os serviços públicos - água, luz e telefone - funcionaram normalmente.

Em Gonaïves, cidade do centro-oeste do país na qual começaram os grandes protestos contra Aristide em setembro, havia garrafas quebradas e barricadas nas ruas, embora não tenha sido informado sobre manifestações e incidentes.

Além disso, em Jacmel, no sudeste, houve manifestações antigovernamentais sem atos de violência.

Em relação à proposta de Powell, Víctor Benoit, porta-voz da oposição, a rejeitou por considerar que a iniciativa da Igreja "já expirou".

- Essa proposta se ajusta aos interesses do Governo de (George W.) Bush, não aos do povo haitiano, e a oposição a rejeitou - explicou o porta-voz da Convergência Democrática, que acusa o Governo de Aristide de ter fraudado as eleições de 2000.

Um conselho da Igreja católica propôs em novembro que fosse realizada uma transição governamental por meio de um grupo constituído por cerca de nove pessoas, iniciativa também sugerida pela Convergência Democrática no último dia 1º de janeiro, quando foi comemorado o Bicentenário da Independência, sem êxito.

O Governo acolheu positivamente, porém, as declarações de Powell, qualificando-as de "razoáveis", e disse que "a oposição deve voltar a discuti-la" e retornar para a mesa de negociações.

O vice-presidente da opositora associação de empresários, Charles Henry Baker, também rejeitou a iniciativa católica.

O bispo de Jacmel, Guire Poulard, reconheceu que "é muito tarde" para exercer a proposta do conselho católico e afirmou que quase todos os bispos pedem a saída do presidente Aristide. Poulard pediu ainda que a Igreja católica assuma uma posição nova e clara sobre a crise haitiana.

Gérard Pierre Charles, dirigente da Convergência Democrática, afirmou que não há possibilidade de negociação com o Governo, porque não mostrou "boa vontade".

Ele defendeu que o regime de Aristide liberte os presos políticos, deixe de reprimir as manifestações e mantenha uma gestão equilibrada dos meios de comunicação do Estado.

Charles revelou que uma delegação da Comunidade do Caribe (Caricom) propôs na terça-feira que sejam retomadas as negociações entre Governo e oposição para superar a crise política e social haitiana, mediante reuniões na Jamaica ou Trinidad e Tobago.

O dirigente oposicionista ressaltou, entretanto, que a Convergência Democrática é contra um novo encontro com o Governo, porque o caminho para o diálogo já se esgotou.

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