Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 2026

Greve geral na Nigéria entra na segunda semana

Segunda, 07 de Julho de 2003 às 13:44, por: CdB

A greve geral da Nigéria está entrando na sua segunda semana, depois que o Congresso Trabalhista da Nigéria (NLS, na sigla em inglês) rejeitou um acordo oferecido pelo governo. Os grevistas acusam a polícia de ter matado pelo menos dez manifestantes depois de ter aberto fogo para dispersar um protesto contra o aumento de combustíveis que detonou a paralisação. A polícia repudiou as acusações e disse não ter responsabilidade pelas mortes. O NLS é o principal negociador dos trabalhadores da indústria petrolífera do país e quer que o governo volte atrás no aumento de 50% nos combustíveis. Volta Outro sindicato, o Congresso Sindical (TUC, na sigla em inglês), que representa majoritariamente executivos brancos, pediu que seus filiados voltassem ao trabalho nesta segunda-feira. Por causa da greve, o governo brasileiro decidiu descartar uma redução no preço dos combustíveis nesta semana. A Nigéria é o maior exportador de petróleo para o Brasil, sendo responsável por 39% to total importado. O secretário-geral da NLC disse que a decisão da TUC é "irrelevante" e que a greve continuaria. A greve parece seguir na capital financeira, Lagos, onde os grevistas montaram barricadas nas principais ruas. Na capital do país, Abuja, poucas pessoas têm ido trabalhar. Mas há relatos de que o movimento sofreu interrupções na região de Oshodi, em Lagos. Aumento A greve foi convocada para protestar contra um aumento de 50% no preço dos combustíveis, no mês passado. Sindicalistas pedem que o aumento seja revogado. O governo ofereceu uma redução do aumento, limitando o percentual em 35%. Essa proposta foi rejeitada durante o fim de semana. "As pessoas agora estão mais determinadas", disse Adams Oshiomhole, presidente da NLC. O correspondente da BBC em Lagos, Dan Isaacs, disse que este é um movimento desafiador dos sindicatos, que já conseguiram uma concessão substancial. No entanto, de acordo com Isaacs, apesar de a greve ter exercido uma pressão formidável sobre o governo, o presidente Olesegun Obasanjo parece confiar que o movimento vai se enfraquecer. Por outro lado, a ameaça dos trabalhadores de interromper a exportação de petróleo cru, a maior fonte de renda do país, está sendo levada muito a sério e causou um aumento do produto no mercado internacional. No país, o preço da gasolina subiu de 26 nairas por litro para 40 nairas (aproximadamente R$ 1,10). O governo tenta chegar a um acordo rapidamente para acabar com o problema antes da visita do presidente americano, George W. Bush, ao país, nos próximos dias. O correspondente da BBC diz que o sentimento da população com o governo, que se elegeu há pouco tempo, é de ressentimento, já que o aumento dos combustíveis fez diminuir o poder de compra dos nigerianos. Autoridades do país dizem que a medida foi necessária para dar fim à escassez e evitar o contrabando do combustível barato para países vizinhos. Oshiomhole acusa a polícia de usar táticas violentas contra os grevistas, incluindo bombas de gás lacrimogêneo, nos primeiros três dias. A polícia disse que a resposta foi "calculada" e negou relatos de que quatro pessoas morreram.

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