Greve geral e manifestações paralisam Atenas em meio à violência generalizada
Jovens manifestantes e policiais antidistúrbios entraram em confronto, nesta quarta-feira, em Atenas, no estopim da maior revolta já presenciada pelo governo grego desde que a crise do capitalismo mundial teve início, há três anos.
Quarta, 23 de Fevereiro de 2011 às 11:25, por: CdB
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Uma manifestação contra os cortes do governo organizada em função de uma greve geral de 24 horas no país paralisou a capital ao longo do dia. Os policiais, posicionados diante o Ministério das Finanças, na praça central de Syntagma, lançaram gases lacrimogêneos na tentativa de fazer os jovens retrocederem. Os manifestantes, por sua parte, jogaram todos os tipos de objetos, principalmente coqueteis molotov e bombas caseira.
Segundo a polícia, as várias manifestações em Atenas e no Pireu reuniram cerca de 20 mil pessoas. Segundo os sindicatos foram 60 mil pessoas. Só em Salônica a polícia calculou em 16 mil o número de manifestantes. Estas manifestações foram organizadas pelas duas grandes centrais sindicais do país, GSEE e Adedy, e a frente sindical comunista Pame, dentro de uma greve geral de 24 horas convocada contra a política de austeridade imposta ao país pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional em troca de um plano de ajuda financeira.
Calote da dívida
A União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) fecharam, no ano passado, um acordo de resgate financeiro de 110 bilhões de euros (US$ 150,17 bilhões), válido por três anos, para salvar a economia da Grécia, que enfrentava o risco de um calote da dívida devido à sua grave situação fiscal. A Grécia planeja reduzir seu deficit público em 2011 para 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2009, o número chegou a 15,4% do PIB.
Os esforços da Grécia em cortar gastos gerou greves e protestos violentos no país ao longo deste ano. Outros países da zona do euro em grave situação fiscal, como Irlanda e Portugal, são alvos em potencial de novos resgates financeiros. Ao finalizarem a sua segunda revisão do programa econômico grego, as equipes da UE, do FMI e do Banco Central Europeu emitiram nota afirmando que o país está "no caminho certo" e que esperam uma "virada" na economia do país em 2011. No entanto, embora elogiem os cortes de gastos feitos, as equipes destacam que os esforços da Grécia podem ser menores do que o exigido para o país sair da crise.
No dia 15 de dezembro, a Câmara dos Deputados transformou em lei medidas que cortam os salários de empresas estatais de ônibus e ferrovias.O projeto de lei que gera os protestos, exigido pela UE e pelo FMI, prevê cortes de 10% a 25% nos salários superiores a 1.800 euros mensais (US$ 2.457) nas DEKO e foi aprovado durante a noite por 156 votos a favor e 130 contra.
Revolta
Diante dos pesados cortes no Orçamento grego, os principais sindicatos do país convocaram para esta quarta-feira uma nova greve geral de 24 horas que paralisou o país, em uma nova mostra da queda de braço entre sindicatos e governo pela dura política de austeridade para reduzir a enorme dívida do país. Na segunda greve geral deste ano (em 2010 foram dez), e após dez meses de aplicação de severos ajustes econômicos, os sindicatos convocaram os cidadãos para protestar contra os cortes com os quais o Executivo pretende reduzir o deficit em 30 bilhões de euros (US$ 40,96 bilhões) nos próximos três anos.
Os hospitais públicos atenderão nesta quarta-feira apenas casos de urgência, enquanto os colégios e os maternais não abrirão suas portas e a união de comerciantes da Grécia planeja o fechamento das lojas. Farmacêuticos e empregados de bancos participarão da greve, que também fará com que não funcionem Prefeituras, Ministérios e empresas públicas.
Atenas ficou sem transporte público, à exceção do metrô, cujo serviço levou os grevistas às manifestações. Já os jornalistas protagonizaram o que estão chamando de "blecaute informativo". Os sindicatos confirmaram a ampla participação popular prevista na véspera e mandaram uma "mensagem ao governo que o povo não pode mais viver com os cortes em suas receitas, desemprego, alta de impostos e cortes nas aposentadorias", declarou o porta-voz da União de Funcionários Civis, Vasilis Xenakis.
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