A adesão dos servidores federais à greve iniciada na última terça-feira está crescendo, dizem os sindicalistas.
Segundo a Condsef (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Federal), a adesão hoje está em torno de 45% e deve chegar a 50% até a próxima semana.
Para o coordenador do Condsef, Lizeu Lima, o pico do movimento será em agosto, antes da votação da reforma previdenciária na Câmara.
- A idéia do movimento é obter adesão progressiva, na semana que vem acredito que a adesão deve chegar a 50% e deve atingir pico de 100% em agosto antes da votação - disse Lima.
O Ministério do Planejamento, no entanto, com números do primeiro dia de paralisação, afirma que entre 30% a 40% dos servidores estão parados. Segundo o ministério, há 878,5 mil funcionários públicos no País.
Nem mesmo com o anúncio de recuo do governo, que pretende agora mexer no texto da proposta da reforma da Previdência, o coordenador do Condsef acredita que haverá esvaziamento no movimento.
- Eles [o governo] disseram que podem mexer na questão da integralidade das aposentadorias, só que este não é o único ponto de contestação dos servidores. Queremos que a reforma saia da pauta do Congresso e que vários pontos sejam rediscutidos - declarou.
Porém, o governo já anunciou que não aceita negociar a retirada e há a intenção de cortar o ponto dos grevistas.
De acordo com o Condsef, as maiores adesões ocorrem na Receita Federal, Ibama, ministérios da Saúde e Planejamento. O Incra deve aderir totalmente à paralisação na segunda-feira, segundo a entidade.
Na Receita, segundo a Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), a adesão dos auditores chega a 90%. Nesta quinta os auditores fazem uma assembléia para definir se continuam a paralisação de 72 horas ou se decretam greve por tempo indeterminado.
Nas universidades também foi registrado um crescimento na adesão ao movimento grevista. Segundo a Andes (Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior), no primeiro dia de greve eram oito instituições paradas, nesta quinta, este número chega a 39.
A greve dos servidores pode também prejudicar a medição de índices do governo. O Assibge (Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Instituições e Fundações de Pesquisas Estatísticas e Geográficas) informou que de 65% a 80% dos funcionários do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estão parados. No Rio de Janeiro, sede de órgão, por volta de 90% dos trabalhadores estão parados.
- Acredito que não haja funcionários para a coleta dos dados principalmente nas pesquisas de medição de desemprego e inflação. Como decidimos hoje pela continuidade da greve por tempo indeterminado as pesquisas certamente ficarão prejudicadas - disse Paulo Videll, diretor da executiva nacional do sindicato.