Ainda de madrugada, antes de abrir as portas para atendimento ao público, as agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já tinham longas filas de segurados, na maioria dos postos da capital paulista. Depois de quase um mês e meio de greve dos servidores, houve grande acúmulo de casos a serem solucionados, principalmente na periferia da cidade. Há 161 agências do INSS em todo o estado, das quais 27 na capital.
Apesar do movimento intenso nesse primeiro dia de retomada das atividades o atendimento foi tranqüilo.
Em um dos postos de maior demanda, no bairro de Santo Amaro, foram distribuídas 963 senhas até às 14h. Duas horas depois, restavam apenas 50 beneficiários para serem atendidos. Embora alta, essa procura está abaixo da média normal desse posto, que é de 1.300.
Informadas sobre o fim da paralisação, suspensa ontem após acordo entre representantes da categoria e do governo, muitas pessoas estavam ansiosas para serem atendidas na agência centro, na rua Xavier de Toledo. Nessa unidade, o tempo de espera oscilou entre 15 a 20 minutos, no final da manhã. Mas desde cedo, registrou uma demanda acima do habitual, de 473 pessoas até às 12h30, das quais 107 necessitando de perícias médicas. Esse número é quase a totalidade de um dia normal. No último dia 16 de abril, por exemplo, passaram por lá 698 pessoas.
Retornando ao local pela segunda vez em menos de um mês, o segurado Geraldo Luiz Cocate, de 52 anos, funcionário de uma companhia telefônica, contou que tinha ido resolver o pagamento em atraso da contribuição previdenciária de sua filha. Por causa da greve, segundo ele, a pendência iria implicar em multa. Anteriormente, procurou a agência para se submeter a perícia médica, uma rotina que enfrenta trimestralmente há um ano e quatro meses, depois de ter sido afastado do trabalho em razão de um acidente.
Considerando-se com mais sorte do que outros beneficiários, disse que tinha agendado um exame médico para o último dia 22 de maio, mas conseguiu, em meio à greve, ser encaminhado para um encaixe no sistema da rede credenciada, uma semana depois.
Já Doba Karp, de 63 anos, demonstrava irritação porque há dois anos, segundo afirmou, tenta obter o resgate de um auxílio-doença. Ela recebe pensão por morte do marido e, conforme relatou, ficou uma quantia a receber relativa a auxílio-doença.
Apesar do acordo que possibilitou o fim da greve, há risco de uma nova paralisação, alertou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo, José Rubens Decares. Ele avalia que houve um avanço nas negociações com a conquista da promessa de envio de projeto de lei ao Congresso estabelecendo mudanças no plano de carreira e o compromisso de pagamento de uma gratificação fixa de R$ 184.
- Saímos de cabeça erguida desse movimento, mas vamos continuar a luta para melhorar as condições dos servidores - disse, observando que existe uma defasagem salarial de 127% acumulada desde o governo anterior.