Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Greve da PF atinge 70% da categoria

Terça, 09 de Março de 2004 às 12:47, por: CdB

 Pouco mais de 7 mil dos 10 mil agentes da Polícia Federal entraram em greve nesta terça-feira em todo o país por tempo indeterminado, enquanto advogados públicos fazem paralisação de 48 horas.

Segundo dados de sindicatos de funcionários da PF, a adesão foi de 70 por cento e o restante dos agentes ficará responsável pelos serviços básicos, como checagem de vistos de estrangeiros, emissão de passaportes e continuidade de investigações. O governo aponta dados similares.
Mesmo assim, o vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, João Valderi de Souza, disse que as investigações especiais do governo ficarão prejudicadas.

Ele afirmou ainda que os agentes em serviço trabalharão em regime de operação padrão e apenas emitirão passaportes em casos essenciais. Até agora, segundo o sindicalista, o setor mais afetado é o de desembarque de passageiros em aeroportos.

- Temos adesão maior que o esperado. E vamos parar até o governo nos receber - disse Valderi.

Segundo o Ministério da Justiça, os dias não trabalhados serão descontados e o comando da PF ordenou que os policiais entreguem suas armas, seus uniformes e os proibiu de formar piquetes impedindo o acesso de funcionários aos edifícios da entidade. Em manifestações, muitos policiais usam camiseta preta com a palavra ``greve'' em amarelo.

Os agentes reivindicam equiparação salarial aos cargos de nível superior, que, segundo o governo, representaria um reajuste de até 85,4 por cento nos salários. De acordo com nota do Ministério da Justiça, nenhuma carreira do funcionalismo público recebeu reajuste semelhante no mesmo período.

As negociações se estendem desde dezembro do ano passado, quando a categoria entrou em greve pela última vez. Na semana passada, as conversas atingiram um ponto de inflexão durante uma reunião entre sindicalistas e o Ministério da Justiça. Cada um dos lados acusa o outro de intransigência no processo.

- Estamos abertos à negociação. O ministério não pode aceitar o que eles estão pedindo - disse a assessoria do ministério.

O presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Fernando Honorato, voltou a repetir que a categoria não aceita negociar com o Ministério da Justiça e quer tratar o processo com o Palácio do Planalto. A atitude do governo é aguardar as decisões da greve e trabalhar para manter os serviços básicos da PF.

Tags:
Edições digital e impressa