Um grupo de sindicatos, exportadores e autoridades locais vão prorrogar o fechamento do maior porto escoador de grãos do país nesta segunda-feira, exigindo a demissão dos administradores, disseram no domingo organizadores do protesto.
A greve no porto de Paranaguá ocorre perto da alta da safra, e provoca quilômetros de fila de caminhões repletos de soja e milho.
- Estamos esperando nos encontrar com o governador do Paraná (Roberto Requião, do PMDB) ou o ministro dos Transportes (Alfredo Nascimento, do PL) segunda-feira, mas até lá o porto permanece fechado - disse Valdir Leite, deputado estadual do Paraná da região de Paranaguá.
Além do deputado, participam do protesto o prefeito e vereadores de Paranaguá, pelo menos nove sindicatos que cobrem as operações do porto, exportadores, estivadores, a associação comercial da cidade e várias cooperativas. O porto está fechado desde a manhã da última sexta-feira.
- Continuamos exigindo a demissão de Eduardo Requião por incompetência. Ele não está apenas prejudicando as pessoas e as operações comerciais do porto, mas suas políticas também estão desequilibrando a balança comercial do Brasil - disse Leite.
Eduardo Requião foi nomeado como administrador do porto pelo governador do Estado e seu irmão, Roberto Requião, depois de ele ter assumido o governo em 2003.
Desde então têm-se agravado as tensões entre a administração do porto e exportadores, que reúnem grandes cooperativas e empresas multinacionais de produção de grãos.
A administração do porto acusa os operadores do porto de retardar o carregamento dos navios como forma de protesto contra a decisão do governador do Paraná de proibir soja geneticamente modificada no porto.
Os manifestantes negam que a questão dos transgênicos seja o motivo do protesto.
- Este movimento não tem nada a ver com a decisão do governador do Estado de não exportar produtos transgênicos pelos terminais do porto - disseram em comunicado os líderes do protesto.
Segundo a polícia rodoviária, a fila de caminhões à espera para descarregar no porto - principalmente soja e milho - atinge cerca de 100 quilômetros e já chegou a Curitiba.
O porto emprega cerca de 8 mil trabalhadores. Mais de 46 navios esperam para entrar no local, e o atraso é estimado em 25 dias, com outros 15 navios ancorados no porto sem poder carregar ou descarregar.
- O superintendente do porto (...) tem adotado (...) decisões que estão tornando impossíveis (as operações) e interrompendo a logística operacional do porto - de acordo com o comunicado dos manifestantes.
O Brasil é o segundo maior exportador de soja do mundo, depois dos Estados Unidos, e os produtos agropecuários somam cerca de 40% do faturamento das exportações do país.
Greve continua nesta segunda-feira no porto de Paranaguá
Domingo, 21 de Março de 2004 às 21:59, por: CdB