Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Gregos Receberão Presente de Grego do Seu Parlamento?

Terça, 28 de Junho de 2011 às 10:29, por: CdB

Por Dever Patridiótico 28/06/2011 às 16:04

Para liberar uma "ajuda financeira" no valor de 12 bilhões de euros à Grécia, a União Européia e o FMI exigem que o governo grego adote um pacote de austeridade fiscal reduzindo seus gastos públicos em 28 bilhões de euros e privatize seu patrimônio público em valor equivalente a 50 bilhões de euros.

O trecho abaixo transcrito foi retirado de um artigo do Roberto Kurz intitulado 'Modernidade Autodevoradora', publicado em 2002. Qualquer semelhança da transcrição com a Grécia de hoje não é mera coincidência:

"A Privatização do Público

Por um período de mais de cem anos, os sectores do serviço público e da infra-estrutura social foram reconhecidos em toda parte como o necessário suporte, amortecimento e superação de crises do processo do mercado. Nas últimas duas décadas, porém, impôs-se no mundo inteiro uma política que, exatamente às avessas, resulta na privatização de todos os recursos administrados pelo Estado e dos serviços públicos. De modo algum essa política de privatização é defendida apenas por partidos e governos explicitamente neoliberais; há muito ela prepondera em todos os partidos. Isso indica que não se trata aqui só de ideologia, mas de um problema de crise real. Seguramente, desempenha um papel nisso o fato de a arrecadação pública de impostos retroceder com rapidez por conta da globalização do capital. Os Estados, as Províncias e as comunas super-endividadas em todo o mundo tornaram-se fatores de crise econômica, ao invés de poderem ser ativos como fatores de superação da crise. Uma vez dilapidadas as "pratas" dos sistemas socialmente administrados, as "mãos públicas" acabam por assemelhar-se fatalmente às massas de vítimas da velhice indigente, que nas regiões críticas do globo vendem nos mercados de segunda mão a mobília e até a roupa para poderem sobreviver. Porém o problema reside ainda mais no fundo. No âmago, trata-se de uma crise do próprio capital, que, sob as condições da terceira revolução industrial, esbarra nos limites absolutos do processo real de valorização. Embora ele deva expandir-se eternamente, pela sua própria lógica, ele encontra cada vez menos condições para tal, nas suas próprias bases. Daí resulta um duplo ato de desespero, uma fuga para a frente: por um lado, surge uma pressão assustadora para ocupar ainda os últimos recursos gratuitos da natureza, por fazer até mesmo da "natureza interna" do ser humano, da sua alma, da sua sexualidade, do seu sono o terreno direto da valorização do capital e, com isso, da propriedade privada. Por outro, as infra-estruturas públicas de propriedade do Estado devem ser geridas, também, por sectores do capitalismo privado."

Roberto Kurz, em A Privatização do Mundo.

 http://resistir.info/varios/privatizacao_mundo.html

O Estado grego, devido ao seu crescente super-endividamento, deixou de ser um fator de superação da crise econômica e se transformou no próprio fator de crise. É a globalização da miséria.

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