Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Gregos aprovam novo governo, segundo pesquisa

Quase um mês depois da eleição que levou o partido radical de esquerda Syriza ao poder, muitos gregos estão satisfeitos com o rumo adotado pelo novo governo, comandado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras.

Sexta, 20 de Fevereiro de 2015 às 07:49, por: CdB
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Pesquisa mostra que maioria da população está satisfeita com a maneira como o primeiro-ministro Alexis Tsipras negocia com os credores Escolha de Prokopis Pavlopoulos surpreendeu, num país governado pela esquerda, mas onde opção por nome da oposição para cargo é tradição
  Quase um mês depois da eleição que levou o partido radical de esquerda Syriza ao poder, muitos gregos estão satisfeitos com o rumo adotado pelo novo governo, comandado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras. Mesmo quem não votou na legenda elogia a postura de não se curvar à tão odiada "troica" e, em vez disso, negociar de cabeça erguida. Mas, ao mesmo tempo, muitas pessoas temem que o rumo de confronto com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) leve à saída da Grécia da zona do euro. Diante disso, elas preferem não correr riscos e sacam todas as economias que tinham nos bancos. Nas últimas semanas, mais de 20 bilhões de euros foram retirados. Boa parte desse dinheiro vai parar nos lugares mais inusitados: enterrado no jardim, escondido atrás do azulejo do banheiro ou protegido dentro de um cofre no quarto de dormir. O raciocínio é simples: se a Grécia sair do euro e tiver que adotar uma moeda própria, quem tirou seu dinheiro não vai precisar passar por uma conversão e possível perda do valor economizado. Só que guardar grandes quantias dentro de casa está longe de ser uma opção segura, por mais bem escondido que o dinheiro esteja. Criminosos já sabem da nova tendência. Um casal de idosos teve 62 mil euros roubados no início desta semana. Por causa disso, muitas pessoas transferiram dinheiro para contas no exterior. Segundo um banqueiro anônimo citado pelo site de notícias alemão Tagesschau, os primeiros a sumir com o dinheiro foram os mais ricos. Ele disse que praticamente não existem mais contas com valores acima de 100 mil euros nos bancos gregos. Uma boa parte desse dinheiro foi parar nos bancos de Londres, assegura. Outro destino comum, como sempre acontece em tempos de insegurança monetária, é o ouro. A situação é tão incerta que circula o boato de que o Banco Central Europeu vai limitar o fluxo de capital nos bancos gregos, estabelecendo um teto para saques e transferências. Mesmo com toda essa insegurança e boataria, a maioria dos gregos aprova o rumo adotado por Tsipras. Numa pesquisa de opinião recente, 80% dos consultados acham que ele faz um bom trabalho, e 58% opinam que ele está negociando da maneira correta com os credores. Se as eleições fossem hoje, Tsipras alcançaria 45% dos votos, bem mais que os 36% que ele teve no fim de janeiro. Presidente grego é liberal e crítico  
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  É uma surpresa que a escolha tenha recaído sobre Prokopis Pavlopoulos. Até recentemente, outro peso pesado dos conservadores era tido como claro favorito: o comissário europeu de Imigração e Assuntos Internos, Dimitris Avramopoulos. Mas, aparentemente, a aceitação do político liberal, ex-ministro da Defesa e vice-presidente do partido de oposição Nova Democracia seria difícil demais de ser aceito pelo eleitorado mais à esquerda. A nomeação de Pavlopoulos causou um pequeno choque, segundo o jornal Ta Nea, de Atenas. - Desde a eleição presidencial em 1995, existe a tradição democrática segundo a qual o partido que está no poder indica um político da oposição como candidato para o cargo mais alto do Estado. É gratificante que também o primeiro-ministro Alexis Tsipras dê continuidade a essa tradição - opina o analista político Yannis Pretenderis, no canal de TV Mega. Pavlopoulos é tido como alguém próximo ao ex-primeiro-ministro Kostas Karamanlis, do qual foi ministro do Interior entre 2004 e 2009. A parceria entre os dois sempre foi tão estreita, que o agora presidente sempre sustentou que sairia da política se Karamanlis renunciasse. Mas ele não cumpriu o que disse, pois, embora seu mentor político tenha perdido a eleição em 2009, atuando desde então somente nos bastidores, Pavlopoulos permaneceu até janeiro de 2015 no Parlamento em Atenas. Doutor em direito na França, Pavlopoulos era ministro do Interior quando a Grécia foi tomada por uma onda de violência no final de 2008, após o manifestante de 15 anos ter sido morto por um tiro da polícia em Atenas. Pavlopoulos foi acusado, então, de não ter agido contra os manifestantes com energia suficiente. Ele afirma que pretendia seguir uma tática que visasse evitar confrontos e mortes e que teria dado certo. "Senso democrático" Tsipras afirma que Pavlopoulos tem "senso democrático" e goza de um "amplo respeito na sociedade e no Parlamento". Este respeito foi comprado a preço alto, considerando que, aparentemente, o político conservador esteve significativamente envolvido no inchaço do aparelho de Estado grego. Segundo reportagem do jornalTa Nea, em julho de 2013 Pavlopoulos foi responsável, quando era ministro, por um total de 865.132 novas contratações no serviço público. Em geral, baseadas em contratos por tempo limitado, que foram prolongados sucessivamente e causaram ao Estado uma enxurrada de ações trabalhistas pedindo reconhecimento de vínculo empregatício. "Os custos das contratações de então pesam até hoje nas negociações entre a Grécia e a troica, formada por UE, FMI e BCE", relata o canal de TV de Atenas Skai. Resta esperar para ver se Pavlopoulos realmente é o melhor símbolo do combate repetidamente anunciado por Tsipras contra a velha política do clientelismo político-partidário. Afinal, o professor de direito administrativo tentou em 2005 dar um fim nas conexões, que considerou próximas demais, entre grandes empresas e meios de comunicação gregos. Mais uma vez, ele provou que, nesse ponto, também não tem boa mão, pois o projeto de lei que levou ao Parlamento, limitando o número de ações de empresas de comunicação que empresários podem possuir, foi abruptamente declarado pela Comissão Europeia como incompatível com o direito europeu. Até recentemente, o jurista defendia seu ponto de vista de que o direito constitucional grego prevalece sobre o direito da UE. O fato de o novo presidente repetidamente ter se distanciado no passado das medidas de austeridade do atual pacote de resgate da Grécia deve agradar à esquerda. No fim de 2014, ele criticou a troica de credores, por supostamente ter intervindo sobre o então primeiro-ministro conservador Antonis Samaras para cancelar uma lei controversa sobre o alívio da dívida para os credores privados. Além disso, Pavlopoulos afirmou que o imposto imobiliário, então recém-introduzido, era inconstitucional. Samaras não guarda ressentimentos. Imediatamente após a nomeação de seu colega de partido para o mais alto cargo estatal, garantiu que os deputados conservadores dariam "naturalmente" seus votos a Pavlopoulos.
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