Os EUA correm o risco de viver uma nova depressão nos próximos anos. A chance de acontecer um fato como este, segundo avaliação do ex-chairman do Federal Reserve Alan Greenspan, fica entre um terço e 50% devido à crise de crédito gerada por problemas no setor de financiamento imobiliário de alto risco.
- Eu acho que a chance de uma recessão nos EUA fica entre um terço e metade. O cenário mais provável é de crescimento econômico em desaceleração nos EUA - afirmou Greenspan, nesta quarta-feira, em uma conferência em Lisboa.
Greenspan afirmou que a crise está começando a se dissipar, apesar das grandes perdas informadas pelos principais bancos nesta semana.
- Estamos começando a ver o frenesi se acalmar. Ao menos que tenhamos efeitos secundários, o pior acabou - completou.
Sobre os mercados de câmbio, Greenspan afirmou ser extremamente difícil prever o que acontecerá com o dólar e com o euro nos próximos 18 meses. Ele acrescentou que a queda da moeda norte-americana é puxada pelos diferenciais nas taxas de juros.
- Nós temos muito pouca capacidade de projetar as taxas de juros para os próximos 18 meses - disse.
O ex-presidente do BC norte-americano recomendou que os bancos centrais não intervenham nos mercados de câmbio, dizendo que o setor é grande demais.
- É muito grande e não tenho certeza de que um banco central ou um grupo de bancos centrais tenha os recursos - disse ao ser questionado sobre a possibilidade de intervir para mudar as taxas de câmbio.
Sobre a valorização do euro, ele disse que se criaram duas moedas mundiais que são uma reserva internacional de valor: o dólar e o euro.
- Não existe medo de que uma irá sucumbir - disse Greenspan. Ele acredita que há espaço suficiente no mundo para mais uma grande moeda.