Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Greenpeace revela que atividades da mineradora Barrick Gold afetaram geleiras

Quarta, 20 de Julho de 2011 às 13:12, por: CdB

A maior mineradoratransnacional do mundo, presente em 15 países, com 25 projetos, e um longohistórico de violações ao meio ambiente, é, novamente, alvo de sérias críticasno informe "Barrick: Mineração responsável por destruir as geleiras”, publicadopelo Greenpeace, ontem (19). De acordo com o relatório, a ação da empresacanadense já comprometeu em até 70% geleiras no Chile e na Argentina, onde mantémdois projetos – Veladero (província de San Juan) e Pascua Lama, fronteira com oChile.

"Oprojeto Pascua Lama incluía o traslado de três geleiras do lado chileno (Toro1, Toro 2 e Esperanza), mas o plano foi proibido e se obrigou a empresa a mudaro projeto para não intervir nelas. No entanto, em uma relatório técnico do ano2005 se adverte que a superfície das mesmas diminuiu entre 56% e 70% devido àsatividades realizadas por Barrick. Em fevereiro deste ano se sancionou aempresa por continuar afetando-lhes”, denúncia o documento.

Nas etapas de pesquisa e exploração mineira, amineração afeta as geleiras por meio da sua remoção, construção de caminhos,perfuração e uso de explosivos, levantamento de pó (que acelera derretimento),e pela cobertura das geleiras com material de descarte, segundo o informe.

"Com mais de 200 novos projetos mineiros na zonaandina central da Argentina (somente San Juan tem mais de 150), o impactocumulativo sobre geleiras e ambiente periglacial pode ser catastrófico se antesnão se realizar o inventário estipulado pela Lei de Geleiras”, alerta.

O Greenpeace chama atenção para o fato de que 75%do território argentino é árido ou semiárido, o que o tornaria mais vulnerávelfrente a uma mudança climática. O caso da província de San Juan é ainda maisdelicado, pois a região de Cuyo, onde está localizada, depende em grande partedos degelos dos Andes, afetados pelos projetos da Barrick Gold.

Apesarda degradação já ter sido denunciada em outras ocasiões, em novembro de 2010 umjuiz suspendeu a Lei das Geleiras na província de San Juan, atendendo a umrecurso judicial da Barrick Gold. Ele alegou que a norma atrapalha a mineração,trazendo prejuízos econômicos.

Com adecisão judicial, impede-se que seja realizado o inventário das geleiras (previstopela lei) na área do projeto da Barrick Gold, e, consequentemente, que sejamcomprovados os danos da mineração às geleiras. Para o Greenpeace, este recursojudicial "autoincrimina” a mineradora.

A organizaçãocita ainda o informe "Tribunal da Mineração Transnacional: o caso da BarrickGold Corporation na América Latina (Chile, Peru e Argentina)”, que revelaomissão da existência de geleiras no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) daBarrick Gold no projeto de Veladero.

"Aempresa ocultou a existência de geleiras no estudo de impacto e depois foidenunciada pela afetação pela abertura de caminhos (de até 35 metros delargura) na geleira Conconta (ou Vallejos)”, denunciam.

Além de destruir as geleiras, a mineração contaminaa água de San Juan.De acordo com outro relatório citado pelo Greenpeace, estudiosos constataramaumento da quantidade de metais pesados como chumbo, mercúrio, alumínio e arsênico nas fontes de água da província,evidenciando contaminação. "(as amostras) demonstram elevados níveis queexcedem os limites permitidos pela lei e/ou excedem de maneira preocupante alinha de base estabelecida para o ambiente local”, destacam.

Parao projeto de Pascua Lama, cuja extração terá início em 2013, a previsão tambémnão é nada boa, com alto nível de degradação ambiental. "Cada grama de ouroextraído em Pascua Lama precisará remover 4 toneladas de rocha, e consumir 380litros de água, 43,6 kWh de eletricidade (similar ao consumo semanal de um lar argentinomédio), 2 litros de diesel, 1,1 kg de explosivos e 850 gramas de cianureto desódio”, revelam.

O informe está disponívelno link http://www.greenpeace.org/argentina/es/informes/barrick-responsable/

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