Nas praças, milhares de manifestantes se reuniram 2ª. feira em frente ao Parlamento em Atenas em seu 6º dia de protestos. Difícil não compará-los com o movimento espanhol "Los Indignados", que ocupou a praça central de Madri por semanas.
Ainda assim, a Grécia se aproxima de um acordo final com uma equipe de funcionários do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu (BCE), que passaram o último mês em Atenas decidindo se o país deve receber a próxima parcela de 110 bi de euros de ajuda acordada no último ano.
Além de se comprometer com realizar privatizações, Atenas terá de diminuir o déficit de orçamento grego, de 10,5% do PIB no ano passado, para menos de 1% em 2015. Aqui cabem várias perguntas sobre o país. Faço minhas as formuladas, hoje, no editorial de O Estado de São Paulo. “Portugal, Espanha e outros países endividados ficarão incólumes no caso de um calote grego? E qual será o impacto no mercado financeiro? Qual será o custo para os bancos e os contribuintes alemães?”
Com frisa o periódico, o risco da moratória grega jamais pareceu tão próximo desde o começo do ano passado, quando a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) salvaram a Grécia de uma bancarrota oficial. Segundo o editorial, é “inaceitável” uma reestruturação total da dívida grega - algo entre 330 bilhões e 340 bilhões de euros, cerca de uma vez e meia o Produto Interno Bruto do país.
Envolver os bancos na solução
Uma saída apontada por Jean-Cluade Juncker, primeiro-ministro de Luxemburgo, presidente do Eurogrupo, seria o envolvimento do setor privado na solução. O que significaria transferir uma parte do custo para os bancos, que, na Grécia, detém 38% da dívida pública.
O Estadão cita a revista Der Spiegel, que teria afirmado que os bancos alemães, por sua vez, são credores de cerca de 25,2 bilhões de euros dos gregos. Entre os maiores credores estaria o estatal Kreditanstalt für Wiederaufbau, com títulos no valor de 8,4 bilhões.
Eis, portanto, a razão pela qual a Grécia não pode reescalonar sua dívida. E, como pontua o Estadão, a situação ficará mais complicada se o governo irlandês precisar de novo financiamento oficial. No domingo, o ministro irlandês dos Transportes, Leo Varadkar, expressou dúvida quanto à capacidade de seu governo de se financiar no mercado de bônus.
Resumo da ópera: vem aí reestruturação da dívida da Grécia. Que os bancos europeus durmam (e acordem) com esse barulho.
Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026
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