Os imigrantes, em sua maior parte oriundos de zonas de conflito na Síria, no Iraque e Afeganistão, têm se recusado a sair, apesar de terem que dormir a céu aberto em condições muito difíceis
Por Redação, com agências internacionais - de Atenas/Genebra:
A Grécia irá começar a desmontar nos próximos dias um acampamento improvisado em sua fronteira norte com a Macedônia, onde milhares de imigrantes e refugiados estão retidos em condições insalubres há meses, disse o governo nesta segunda-feira.
O vasto acampamento, montado em um terreno próximo da cidade grega de Idomeni, surgiu em fevereiro, depois que o fechamento de várias divisas nos Bálcãs deixaram as pessoas no local incapazes de se locomover. A maioria seguia para a Alemanha e outros países ricos do norte europeu.
Os imigrantes, em sua maior parte oriundos de zonas de conflito na Síria, no Iraque e Afeganistão, têm se recusado a sair, apesar de terem que dormir a céu aberto em condições muito difíceis ou serem atacados pela polícia macedônia com gás lacrimogêneo. Eles vêm ignorando os apelos das autoridades gregas para que se desloquem a acampamentos organizados criados em toda a Grécia.
Giorgos Kyritsis, porta-voz do governo para a crise imigratória, afirmou à TV estatal que o processo de retirada irá começar "amanhã, no dia seguinte e será finalizado em uma semana, no máximo em 10 dias".
Indagado se o governo planeja remover todas as 8 mil pessoas que se estima estarem morando no campo, Kyritsis respondeu: "Sim. Algo como o acampamento de Idomeni não pode ser mantido. Só serve aos interesses dos traficantes de pessoas".
Turquia e UE
A Turquia tem bloqueado a transferência para a União Europeia de refugiados sírios com alta qualificação profisssional. Segundo a revista alemã Der Spiegel, fontes da Alemanha, Holanda e Luxemburgo confirmam que Ancara retirou nas últimas semanas diversos vistos de saída já concedidos a engenheiros, médicos e profissionais especializados com boa formação.
A publicação acrescenta que diversos governos europeus têm criticado o fato de haver "candidatos difíceis" entre os migrantes indicados por Ancara à UE.
Numa reunião interna, um representante do governo de Luxemburgo teria apontado especificamente a grande incidência de "casos médicos graves ou refugiados com nível educacional muito baixo". O secretário de Estado parlamentar do Ministério do Interior alemão, Ole Schröder, também comunicou constatações semelhantes à comissão de política interna do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão).
Poder total para Ancara
Além disso, o governo da Turquia teria declarado oficialmente ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) que acadêmicos sírios não terão mais permissão para deixar o país.
No acordo com a UE, Ancara já tinha imposto uma cláusula em que se reserva o direito de escolher os refugiados que serão liberados para o bloco europeu. Normalmente, cabe ao Acnur decidir os eventuais candidatos a um programa de realocação.
A agência da ONU informou que tem adotado um processo abreviado, "em consenso com as autoridades turcas, assim como com os países de acolhimento", prossegue a Spiegel. De forma não oficial, no entanto, funcionários do Acnur contaram que seu papel é praticamente apenas carimbar as listas apresentadas por Ancara.
Desde a entrada em vigor do acordo EU-Turquia sobre os refugiados, em 20 de março, a migração descontrolada para a UE sobre o Mar Egeu recuou drasticamente.
O pacto prevê que a Turquia receba migrantes sírios que entraram na Grécia. Em contrapartida, a União Europeia se comprometeu a receber refugiados que se encontram na Turquia, além de conceder bilhões de euros ao país para financiar o alojamento dos migrantes sírios.