Graziano terá todo o apoio do governo brasileiro, diz presidenta
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje nesta segunda-feira que o agrônomo brasileiro José Graziano, eleito diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), terá todo o apoio do governo durante sua gestão.
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje nesta segunda-feira que o agrônomo brasileiro José Graziano, eleito diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), terá todo o apoio do governo durante sua gestão.
A eleição de Graziano foi anunciada na véspera, durante a 37ª Conferência da FAO em Roma. Ele vai ocupar o cargo no período de janeiro de 2012 a julho de 2015. Desde 2006, atuava como representante do órgão na América Latina e no Caribe.
Em seu programa semanal Café com a Presidenta, Dilma avaliou a escolha do ex-ministro de Segurança Alimentar do governo Lula como um reconhecimento, por parte das Nações Unidas, da contribuição que o Brasil tem dado às ações de combate à fome.
– É muito importante porque agora começam as discussões em torno da necessidade de produção de alimentos para as gerações futuras. O governo brasileiro demonstrou, nas suas políticas, que é preciso que o alimento chegue a todos. Demos nossa contribuição – disse.
Ao comentar a safra 2011/2012, a presidenta destacou que R$ 107 bilhões serão destinados ao setor para financiar a compra de sementes e de máquinas e a comercialização de produtos. “É o maior valor já destinado a um plano safra no país”, lembrou.
Entre as novidades, segundo ela, estão linhas de crédito destinadas a criadores de gado e voltadas para a recuperação de pastagens e a diminuição do desmatamento.
– A safra que está se encerrando já é recorde, com uma produção de quase 162 milhões de toneladas. Com esse plano, esperamos alcançar um novo recorde de produção no próximo ano – concluiu.
Preço das commodities
O novo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, lançou um alerta sobre o aumento do preço das commodities agrícolas como o "pior aumento" que ocorre nos mercados financeiros. No primeiro discurso à frente da organização, Graziano afirmou que "a questão dos preços (dos alimentos) é uma das mais urgentes" à qual "devemos ter uma atenção particular", e disse, em referência aos funcionários da agência da ONU, que "acabar com a fome" não é um problema relativo apenas a "suas famílias".
Em sua opinião, "a instabilidade das commodities é ainda o pior aumento que ocorre", e "é preciso chegar a uma estabilização dos mercados financeiros internacionais, caso contrário haverá reflexos sobre as cotações das matérias-primas". Porém, ele disse ter "confiança" de que "o G20 que já começou a enfrentar a questão" e "encontrará uma solução". "Por parte da FAO, posso garantir menores instabilidades", indicou.
Ele condenou o monopólio das multinacionais sobre as sementes, "que são um bem da humanidade", mas opinou que "a biotecnologia é uma ciência importante e não pode ser descartada a priori".
Ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva e coordenador do Programa Fome Zero, o brasileiro citou o ex-presidente ao lembrar que ele comparava os biocombustíveis ao colesterol, pois em ambos "há os que são bons e os ruins".
– A cana de açúcar produzida, por exemplo, no Brasil para o etanol não entra em competição com a produção de grãos e não tem impactos ambientais – colocou, argumentando que as plantações de cana no país estariam tão longe da floresta amazônica no Brasil como "o Vaticano do Kremlin".
O cargo foi decidido ontem na 37ª sessão da FAO, ocorrida em Roma, onde é sediada a agência. Graziano foi eleito com 92 votos dos 180 países-membro, no segundo turno da votação, quando enfrentou o ex-chanceler da Espanha Minguel Angel Moratinos, que recebeu 88 votos. O G77, grupo de países não-alinhados, e a China votaram no brasileiro, enquanto as nações europeias e desenvolvidas votaram majoritariamente no espanhol.
Graziano, porém, disse não ter havido "nenhum 'qui pro quo'" em sua eleição.
– Pretendo agir de forma transparente e democrática, recebendo a exigência de várias áreas para tentar conseguir um acordo mínimo para gerir de modo participativo esta organização – declarou.
Ele ressaltou que "os países do norte não são contra mim", e que, "depois das eleições, todos estão empenhados em apoiar esta organização, que deve ter um papel importante para enfrentar os novos desafios".
– É importante ter a confiança dos países-membros para poder trabalhar bem – destacou.
O brasileiro defendeu ainda que é preciso "dar início a uma nova era para esta organização" e enfrentar "desafios importantes", como "continuar na reforma interna do organismo para superar as diferenças", referindo-se, por exemplo, aos "desacordos sobre a atividade normativa e a assistência técnica".
– É necessário reunir um mínimo de acordo – concluiu.
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