Rio de Janeiro, 20 de Agosto de 2026

Gravidez indesejada vai diminuir com 'pílula' masculina

Quarta, 15 de Outubro de 2003 às 16:38, por: CdB

O anticoncepcional masculino, elaborado com êxito por cientistas na Austrália, pode ser utilizado para melhorar o problema mundial dos casos de gravidez não desejada, que por ano mata cerca de cem mil mulheres por ano.

Os pesquisadores afirmam que a maioria destas mortes ocorre nos países em desenvolvimento, onde os tabus sociais, os costumes e a pobreza não constituem um terreno propício para a aceitação da "pílula" masculina.

As nações menos desenvolvidas são responsáveis por 95% do aumento da natalidade no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O porta-voz do Departamento de Saúde e Planejamento Familiar da Austrália, Terry Forin, declarou hoje que outro impedimento para este novo produto vem da desconfiança que muitas mulheres têm nos homens.

- As mulheres desconfiam dos homens que em encontros ocasionais lhes asseguram que estão usando um anticoncepcional que inibe a produção de espermatozóides - opinou Forin.

No entanto, o cientista acredita que o mais provável é que a pílula seja adotada pelos casais, principalmente "quando a mulher estiver amamentando um bebê ou não possa usar anticoncepcionais por razões médicas".

A idéia de um anticoncepcional masculino surgiu nos anos sessenta mas foi abandonada "por uma questão cultural e social, além das dificuldades técnicas, já que as forças do mercado levaram a crer que este produto não encontrará nenhum interesse entre os homens", explicou o cientista Rob McLachian, do Prince Henry Institute de Melbourne. A OMS recuperou o programa nos anos oitenta e "fez estudos muito bons sobre o assunto", segundo McLachian.
 
O "anticoncepcional masculino reversível" que agora é desenvolvido pelos institutos Prince Henry e o de Pesquisa ANZAC de Sydney, e que pode estar a venda dentro de quatro anos, é fruto do impulso renovador dado pela OMS.

- O novo tratamento impede que o cérebro envie sinais aos testículos evitando a produção de espermatozóides - explicou McLachian, e destacou que o remédio foi testado com êxito durante um ano em 55 casais, sem o diagnóstico de efeitos colaterais.

Os pacientes se submeteram a um tratamento no qual recebiam uma injeção de testosterona (hormônio masculino) a cada quatro meses e o agente progestina a cada três. Ao aumentar o nível de testosterona no organismo se reduzem os níveis de gonadotropina, o estimulador da glândula produtora de células sexuais masculinas e femininas e assim é inibida a formação de espermatozóides, explicou McLachlan.

A progestina, hormônio comum nos anticoncepcionais femininos, neutraliza os efeitos nocivos da presença excessiva da testosterona, que provoca a redução do colesterol "bom". A idéia imita o sistema natural do corpo humano, que a partir da puberdade põe em marcha o mecanismo para produzir os espermatozóides.

McLachian assegurou que após dois meses do início do tratamento, o corpo deixa de produzir esperma. Provada a viabilidade científica, a palavra agora cabe aos laboratórios, e pelo menos dois se mostraram interessados.

Atualmente existem quinze métodos de anticoncepcionais para a mulher e só três para o homem: o coito interrompido, os preservativos e a vasectomia, que é irreversível. A Austrália e a Nova Zelândia apresentam as taxas mais altas de vasectomias.

No mundo todo há cerca de 125 milhões de mulheres que não querem engravidar e que não utilizam anticoncepcional algum, segundo o relatório "A situação do mundo 2003" do Instituto World Watch.

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