O presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, já encomendou um. Quem contou foi Ricardo Miranda, diretor-geral da Sky Brasil, que vende assinatura de TV via satélite e é uma das empresas dirigidas por Marinho.
A Sky Brasil começou, na semana passada, a cadastrar os interessados na lista de espera do Sky+, que chega ao mercado até o fim do mês. Trata-se do primeiro gravador digital de vídeo (ou Personal Video Recorder – PVR) do País.
Ele não usa fita e permite ao usuário selecionar os programas que quer assistir e gravá-los sem se preocupar com o horário em que eles passam.
O recurso se chama “time-shifting”. Escolhido o programa, o próprio sinal do satélite informa ao aparelho quando começar e terminar a gravação. Outro recurso, chamado “live pause”, possibilita paralisar a imagem de um evento ao vivo, como uma partida de futebol. Da seguinte forma: a imagem pára, mas o equipamento continua a gravar.
Quando o “play” é apertado novamente, o usuário passa a assistir o programa de onde parou, enquanto o PVR continua a gravar o restante do conteúdo. No caso de um jogo, o único inconveniente seria ouvir os vizinhos comemorando o gol antes de vê-lo efetivamente, com um atraso correspondente ao tempo em que a imagem ficou congelada.
A Sky negocia para que a fábrica da Thomson, em Manaus, produza o PVR no País. As primeiras unidades serão importadas. A caixa tem um disco rígido de 80 GB, que grava, em média, 50 horas de programação.
Há também uma conexão USB que, futuramente, servirá para ligar ao PVR periféricos como teclados, câmeras digitais e outros discos rígidos. O som tem padrão Dolby 5.1, presente nos DVDs, mas ainda inédito na TV paga brasileira. O equipamento foi desenvolvido pela empresa sul-africana UEC e o software pela americana NDS.
Michael Powell, presidente da Federal Communications Commission (FCC) e filho do secretário de Estado americano Colin Powell, já chamou de “máquina de Deus” o TiVo, um PVR concorrente, não disponível no Brasil.
O TiVo permite gravar programas sem comerciais, recurso tecnicamente possível no Sky+, mas que não foi habilitado, em respeito aos fornecedores de programação. O equipamento custa R$ 1.499 e a mensalidade do serviço está em R$ 19,90, somados à assinatura convencional do serviço.
A Sky espera que 10% de sua base de assinantes, que hoje está em 770 mil, passe a usar o PVR, num período de 12 a 18 meses. Até o fim deste ano, segundo Miranda, a expectativa é “vender mais do que podemos entregar”. A empresa investiu US$ 1,5 milhão no desenvolvimento do novo serviço. Os controladores da Sky são as Organizações Globo, a News Corp. e a Liberty Media.
Gravador digital de vídeo chega ao Brasil
Segunda, 10 de Novembro de 2003 às 15:15, por: CdB