Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Gravação de Osama aumenta pressão sobre empresas dos EUA

Sexta, 16 de Abril de 2004 às 01:39, por: CdB

As empresas americanas podem enfrentar uma maior ameaça terrorista depois da divulgação de uma gravação, atribuída a Osama bin Laden, que recrimina o trabalho das companhias estrangeiras no Iraque, disseram especialistas na última quinta-feira.

A fita, que segundo a CIA parece ser autêntica, dizia que a guerra no Iraque está rendendo bilhões de dólares a empresas como a Halliburton, que entre 1995 e 2000 foi comandada pelo hoje vice-presidente dos EUA, Dick Cheney.

- Esta guerra rende bilhões de dólares às grandes empresas, sejam aquelas que manufaturam armas ou aquelas envolvidas na reconstrução, como a Haliburton e suas irmãs e filhas - disse a voz, que também ofereceu uma trégua aos europeus se eles pararem de atacar muçulmanos.

A empresa Kellogg, Brown & Root, subsidiária da Halliburton, a principal fornecedora de sérvios aos militares no Iraque. Assim como ocorre com outras firmas estrangeiras, ela está sob freqüentes ataques dos rebeldes iraquianos, que as consideram alvos mais fáceis.

Shibley Telhami, especialista em Oriente Médio na Brookings Institution e professor da Universidade de Maryland, disse que a Al-Qaeda está tentando incutir ainda mais medo nas empresas que trabalham no Iraque, ao mencioná-las na gravação.

Telhami acha que a Al-Qaeda está se aproveitando de uma tendência no mundo árabe, a de ver empresas como a Halliburton como colaboradores da política americana.

As empresas dos EUA, segundo ele, precisam ficar ainda mais em alerta, embora ele acredite que a maior ameaça no Iraque parta de rebeldes locais, não de grupos islâmicos como a Al-Qaeda.

A Halliburton já registrou a morte de 30 funcionários e empregados terceirizados no Iraque. Outros sete estao desaparecidos desde sexta-feira, quando o veículo em que viajavam foi alvo de uma emboscada.

Questionada sobre a fita de Bin Laden, a assessora de imprensa da Halliburton, Wendy Hall, disse que não a comentaria, por razões de segurança.

- Tudo o que podemos dizer é que este é um momento sem precedentes na história americana - afirmou a assessora.

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