Enrico Caruso, um dos mais famosos tenores da história, ou as vozes platinadas de Mario Lanza e Kathleen Ferrier, estão de volta para a alegria dos aficcionados pela boa música, graças às novas edições digitais de suas obras. As gravações mais antigas passaram a ser de acesso públicos e tanto as grandes empresas fonográficas como as mais modestas multiplicam às vésperas das festas de final de ano as iniciativas de edição de faixas restauradas.
Deste modo, a RCA-BMG propõe The complete Enrico Caruso (1873-1921) em doze CDs. Esta recompilação contém 14 horas de arte do "tenor dos tenores", considerado o primeiro dos cantores líricos modernos.
São cerca de 250 gravações a 78 rotações por minuto editadas entre 1902 e 1920 e que foram restauradas graças à digitalização dos originais. Os problemas técnicos próprios à gravação destes tempos heróicos não desapareceram por completo, mas o ouvinte se deixa levar pela força do timbre e pela textura dos repertórios do tenor "spinto" ou "di grazia".
Entre as reedições lançadas no mercado também se encontram as da obra de Mario Lanza (1921-1959), tenor 'crooner' nascido na Filadélfia, ídolo da rádio e do disco. Lanza representou no imaginário americano dos anos 50 o protótipo do tenor de registros altos, com suas interpretações de operetas, canções napolitanas e trabalhos para Hollywood.
Outra grande, a britânica Kathleen Ferrier (1912-1953), acaba de ser reeditada por DECCA em 10 CDs que compilam a obra desta soprano de timbre marcante.
Romanças, melodias britânicas e repertório religioso compõem o essencial desta reedição, que deve ser completada entretanto com Orfeu e Eurídice de Gluck, que Kathleen Ferrier gravou no Festival de Holanda (2 CDs Emi-clássicos).
Outro dos grandes que mereceu uma recente reedição foi o barítono francês Gérard Souzay (1918-2004), que morreu este ano.
Antes de morrer, Souzay teve tempo de selecionar para a Philips o conteúdo de 5 CDs com suas melhores interpretações, especialmente de Schumann e Schubert, e melodias francesas (Fauré, Ravel, Hahn, Poulenc), sem esquecer de suas gravações árias de óperas francesas e italianas.