As indústrias precisam de apoio financeiro para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, disseram líderes empresariais em uma conferência climática nesta segunda-feira, atraindo críticas de que eles estariam colocando seus lucros acima do meio ambiente.
O encontro com mais de 500 líderes empresariais, que termina nesta terça-feira, fará um apelo aos governos para que estabeleçam políticas climáticas claras e de longo prazo durante a conferência de dezembro em Copenhague, que irá definir um novo tratado global em substituição ao Protocolo de Kyoto.
– A grande restrição é a de verbas –, disse Steve Lennon, diretor-gerente da empresa elétrica sul-africana Eskom, referindo-se à necessidade de cortar o custo de combustíveis alternativos ao petróleo.
– Não se trata de capacidade, trata-se de custo –, disse Tony Hayward, executivo-chefe da empresa britânica de petróleo BP.
– A questão é a lacuna entre a energia fornecida hoje e a energia de que estamos falando e que hoje é mais cara.–
A BP tem uma parceria com a mineradora Rio Tinto para separar o hidrogênio do dióxido de carbono nos combustíveis fósseis, enterrar o CO2 e vender o hidrogênio como combustível limpo para as empresas do setor elétrico - para isso, no entanto, a empresa diz precisar de apoio financeiro estatal.
Um importante consultor disse que as empresas estão cientes da grande preocupação da opinião pública com o aquecimento global, e não querem parecer alheias à luta.
– As empresas do petróleo estão falando sobre suas carteiras de energia renovável, mas investindo em combustíveis fósseis –, disse Adam Werbach, executivo-chefe da empresa de marketing e consultoria Saatchi & Saatchi S.
– Essa é a incrível eficácia das relações públicas na última década. Há uma década as pessoas realmente diziam o que pensavam. Agora é nos bastidores.–
Bônus climáticos, mercados de carbono e subsídios à energia renovável são ideias levadas a Copenhague por diretores de empresas como PricewaterhouseCoopers (PwC) e investidores da Vantage Point Venture Partners como formas de promover reduções nas emissões de carbono.
– Pagamentos (de subsídios) poderiam diminuir com o tempo, serem focados na economia de carbono, e precisariam recompensar o cumprimento da energia de baixo carbono –, disse Hayward, da BP.
– Isso está bastante claro. Dá para pegar isso e traduzir em legislação se preferir.–
A Royal Dutch Shell, outra grande empresa do petróleo, disse em março que iria reduzir os investimentos em energia solar e eólica, porque essas fontes não poderiam competir com os combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, a empresa disse que aumentaria sua produção de petróleo em 2 a 3% nos próximos quatro anos.
Samuel Di Piazza, executivo-chefe da PwC, disse que as empresas querem a introdução "gradual, mas não agressivamente desafiadora" do mercado de carbono, que penaliza quem emite em excesso.
Alguns duvidam da sinceridade das grandes empresas quando se dizem dispostas a combater o aquecimento global.
– É da boca para fora por parte de muitos deles –, disse Harish Hande, diretor-gerente da Solar Electric Light Company, que já forneceu geradores de energia solar para cerca de 100 mil domicílios da Índia, onde mais de metade da população vive sem eletricidade.