O Citigroup revelou, nesta sexta-feira, um ambicioso plano de reestruturação, criado para eliminar operações de baixo desempenho e ativos com problemas. A instituição informou ainda que teve prejuízo de US$ 8,29 bilhões no quinto trimestre consecutivo de perdas. O prejuízo trimestral equivale a US$ 1,72 por ação e se compara à perda de US$ 9,8 bilhões, ou US$ 1,99 por ação, de um ano antes.
O Citigroup está se dividindo em duas unidades operacionais. Uma vai se concentrar nas operações bancárias e a outra irá se dedicar a corretagem, gestão de ativos e financiamento a consumidor e vai reunir ativos do grupo que precisam de gestão especial.
Ajuda federal
Outro grande banco norte-americano, o Bank of America, vai receber US$ 20 bilhões em novos investimentos do governo dos Estados Unidos e um apoio federal contra US$ 118 bilhões em ativos podres que detém para ajudar na absorção do Merrill Lynch, afirmaram autoridades norte-americanas nesta sexta-feira. Como parte de um plano de emergência anunciado por Tesouro, Federal Reserve e pelo Federal Deposit Insurance, o Tesouro vai prover o maior banco dos Estados Unidos em ativos com US$ 20 bilhões do fundo de socorro do governo, em troca de ações preferenciais.
O governo também concordou em compartilhar perdas dos ativos problemáticos que o Bank of America assumiu quando pagou estimados US$ 19,4 bilhões pelo Merrill, em 1º de janeiro. Com o sistema financeiro sob uma montanha de dívida podre relacionada a hipotecas, as autoridades temiam que uma deterioração da base de capital do Bank of America significasse um risco para o sistema financeiro como um todo. O banco já recebeu US$ 25 bilhões do governo.
A ajuda oficial vai cobrir apenas ativos domésticos originados antes de meados de março de 2008, para investimentos hipotecários residenciais e comerciais, derivativos e dívida corporativa. Pelo acordo, os ativos residenciais terão uma garantia de 10 anos - duas vezes o prazo para os ativos não-residenciais. O Bank of America precisa absorver os primeiros US$ 10 bilhões em potenciais perdas com os ativos, com o governo digerindo os próximos US$ 10 bilhões. As demais perdas se dividem em 90/10, com o banco assumindo a parcela menor.
O banco fechou a transação com o Merrill sem ajuda do governo, mas as condições de mercado pioraram substancialmente desde 15 de setembro, com o colapso do Lehman Brothers. Falando a jornalistas, uma autoridade sênior dos EUA disse que há esperança de que cada ação emergencial seja a última. Os US$ 20 bilhões para o Bank of America virão dos primeiros US$ 350 bilhões do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso norte-americano.