Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Grampos revelam conversas entre Sarney e Agaciel sobre atos secretos

Uma série de conversas, gravadas pela Polícia Federal com autorização judicial, durante a Operação Boi Barrica, apresenta indícios da prática de nepotismo pela família Sarney no Senado e revela a ligação entre o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o ex-diretor-geral Agaciel Maia e os atos secretos. (Leia Mais)

Quarta, 22 de Julho de 2009 às 08:51, por: CdB

Uma série de conversas, gravadas pela Polícia Federal com autorização judicial, durante a Operação Boi Barrica, apresenta indícios da prática de nepotismo pela família Sarney no Senado e revela a ligação entre o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o ex-diretor-geral Agaciel Maia e os atos secretos, segundo reportagem publicada na edição desta quarta-feira do diário paulistano O Estado de S.Paulo.

Em um dos diálogos, o empresário Fernando Sarney, filho do senador, diz à filha, Maria Beatriz Sarney, que mandou Agaciel reservar uma vaga para o namorado dela, Henrique Dias Bernardes. A reportagem informa que em outra conversa, Fernando Sarney conversa com o filho João Fernando sobre o emprego dele como funcionário do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA)

Durante uma conversa com o filho, alvo da investigação, Sarney caiu na interceptação. Segundo a gravação, o senador se compromete a falar com Agaciel para sacramentar a nomeação. O namorado da neta foi nomeado oito dias depois, com a edição de um dos atos secretos. O Senado emprega, atualmente, cerca de 10 mil pessoas, das quais 3 mil são comissionadas. Em toda a Casa, o maior número de atos secretos foi utilizado para nomeações e exonerações na Diretoria Geral, que esteve sob o comando de Agaciel de 1995 até março.

Atos secretos

Diretor-geral adjunto do Senado, Luciano Gomes encaminhou à Mesa Diretora da Casa, nesta quarta-feira, o relatório parcial da comissão encarregada de analisar os efeitos jurídicos dos 663 atos secretos não publicados no Boletim Administrativo Eletrônico de Pessoal da Casa, durante a gestão do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Luciano Gomes chamou a atenção para o fato de 118 atos dos 663 analisados pela comissão terem perdido o caráter de "secretos" em razão de terem sido publicados no Diário Oficial do Senado, conforme levantamento que ainda está sendo realizado.

– A turma do arquivo já encontrou no Diário Oficial do Senado mais de 110 atos desses 663 que não foram publicados. No meu entender esses atos são válidos e não estão abrangidos pela decisão de anulação do presidente Sarney – disse.

Ele ressaltou ainda o caráter provisório do relatório da comissão, cujas sugestões poderão ou não ser acatadas pela Diretoria Geral. Um dos pontos que precisariam ser melhor discutidos, em sua avaliação, seria a recomendação feita no texto no sentido de se dispensar de funções comissionadas todos os 218 servidores nomeados através de atos secretos.

– A Diretoria-Geral vai analisar caso a caso. Isso é uma sugestão da comissão que nós acataremos ou não. Cada decisão vai depender da avaliação dos senadores responsáveis pelas nomeações – explicou.

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