O lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie amanheceu morto, neste sábado, em uma cela da 91ª DP (Ceagesp), em São Paulo. Ele foi preso na noite de sexta-feira, acusado de envolvimento em um roubo. Segundo laudo do médico psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, que acompanhou o lutador entre a noite de sexta e a madrugada deste sábado, o exame de urina após a prisão apontou presença de cocaína, maconha e medicamentos.
O psiquiatra é o responsável técnico por uma clínica para tratamento de dependentes de drogas e álcool no interior do Estado. Ele informou que conhece o lutador há quatro anos, embora ele não havia sido um de seus pacientes. O médico alegou ter sido chamado à delegacia pela namorada do lutador. Durante o período em que permaneceu ao lado de Gracie, ele ministrou seis tipos de medicamentos ao paciente.
O médico contou a jornalistas que, na noite desta sexta, chegou à delegacia e acompanhou Gracie ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de um exame toxicológico. Ele temia que Gracie houvesse consumido drogas, o que alteraria o diagnóstico e a aplicação dos medicamentos. Segundo o médico, Gracie precisou ser socorrido pois "corria o risco de sofrer uma parada cardíaca ou respiratória. Ele estava muito exaltado".
- Ele dizia que precisava sair de lá (delegacia) porque a cada minuto que ficasse lá ficaria mais "fissurado'", disse o médico, neste sábado. Gracie teria afirmado ao médico na delegacia que injetou e aspirou cocaína - disse.
Segundo Farias Neto, que acompanhou o lutador desde às 22h30 às 5h da madrugada, .o último medicamento foi ministrado pouco antes de ele sair. Ryan foi encontrado morto por volta das 7h30 na cela. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o prisioneiro estava sentado em um dos cantos da cela e foi encontrado, já sem vida, por carcereiros, troca de turnos.
Ryan Gracie foi detido sob acusação de ter roubado o carro de um idoso de 76 anos, a quem espancou e agrediu, com uma faca de cozinha, chegando a cortar um dedo da mão esquerda da vítima, no Itaim Bibi, bairro de classe alta, na Zona Oeste da capital paulista. O lutador também se envolveu em uma briga com motoboys, que conseguiram o dominar e chamaram a Polícia Militar. Gracie foi campeão mundial cinco vezes do principal campeonato mundial de jiu-jitsu.