Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Grã-Bretanha registra número recorde de ataques anti-semitas

Quinta, 10 de Fevereiro de 2005 às 15:01, por: CdB

Os ataques anti-semitas atingiram níveis recordes "alarmantes" na Grã-Bretanha, afirmou um relatório divulgado na quinta-feira, que provocou apelos de líderes judaicos por mais providências para proteger sua comunidade.

O Community Safety Trust, que representa os 290 mil judeus que vivem na Grã-Bretanha em questões de segurança, disse que houve 532 "incidentes anti-semitas" em 2004, incluindo o recorde de 83 ataques violentos.

O total, que inclui abusos e ameaças, representa um aumento de 42 por cento em relação aos números de 2003, e supera em muito o recorde anterior, de 405 incidentes, registrado em 2000.

"Esse aumento é extremamente alarmante. A transferência das tensões do Oriente Médio para as ruas da Grã-Bretanha resultou num nível sem precedentes de incidentes anti-semitas", disse Michael Whine, diretor de comunicações do CST.

A organização disse que cem dos incidentes foram registrados só em março de 2004. No pior deles, um adolescente judeu teve a mandíbula quebrada na cidade de Southampton, na costa sul da Inglaterra.

No mês passado, a polícia londrina disse que estava caçando um grupo de negros e asiáticos que estaria por trás de uma série de ataques racistas contra judeus ortodoxos na capital.

Poucos dias antes, vândalos desenharam suásticas e outros símbolos nazistas em dez túmulos de um cemitério judaico em Aldershot, no sul da Inglaterra, no segundo ataque do tipo ao local.

O rabino-chefe da Grã-Bretanha, Jonathan Sacks, disse que os números preocupam. "A coisa mais importante é que nossa comunidade atraia outras para se unir ao protesto contra os ataques", afirmou ele num comunicado.

"Os judeus não devem ter de combater o anti-semitismo sozinhos."

O governo descreveu o aumento como "totalmente inaceitável" e disse que providências estão sendo tomadas. "Reforçamos a lei contra o racismo, aumentando a pena máxima para a incitação ao ódio racial", disse o líder da Casa dos Comuns, Peter Hain, ao Parlamento.

Os líderes das comunidades anglicana e católica da Grã-Bretanha disseram que os resultados são preocupantes, e condenaram o anti-semitismo.

Rob Beckley, porta-voz da Associação de Delegados de Polícia para questões de fé, disse que "qualquer incidente anti-semita é motivo de grande preocupação para o serviço policial ... Todo crime de ódio é traiçoeiro e destrutivo, e estamos comprometidos em tomar medidas positivas contra os que perpetram tais transgressões."

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