Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Grã-Bretanha pede 'ação coordenada' para conter crise de alimentos

Terça, 22 de Abril de 2008 às 14:29, por: CdB

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou nesta terça-feira que a crise causada pelo aumento de preço dos alimentos ameaça a estabilidade global e precisa ser combatida por meio de uma "ação coordenada internacional".

— Combater a fome é um desafio moral para cada um de nós, e (a crise) é também uma ameaça à estabilidade política e econômica das nações —, afirmou Brown, em um comunicado, antes de se reunir com a diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Josette Sheeran.
O líder britânico também disse temer o uso de terras agrícolas para a produção de biocombustíveis considerados "freqüentemente ineficientes para geração de energia".

— Precisamos olhar com atenção para o impacto no preço dos alimentos e no meio ambiente de diferentes métodos de produção e garantir que sejamos seletivos em nosso apoio —, afirmou Brown.

— Se nossa análise mostrar que precisamos mudar nossa abordagem, vamos defender mudanças nas metas de biocombustíveis da União Européia —, acrescentou o primeiro-ministro britânico.

Medidas "urgentes"

Antes do encontro com Brown, a diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU disse que medidas "urgentes" são necessárias para estimular a produção de alimentos e ajudar a população pobre a enfrentar a alta dos preços.

Josette Sheeran disse à BBC que a agência da ONU fornece hoje alimentos para 100 milhões de pessoas que não precisavam de assistência há seis meses. Um dos principais objetivos da reunião entre Sheeran e Brown é buscar um consenso sobre uma nova política da União Européia para a produção de biocombustíveis.

Os biocombustíveis são apontados como uma saída para os problemas causados pelas mudanças climáticas, mas ocupam terras cultiváveis e ajudam a pressionar o preço dos alimentos.

Em discursos recentes, os presidentes da Bolívia e do Peru fizeram alertas sobre o impacto da produção de biocombustíveis na vida da população pobre.

Custo

Na entrevista à BBC, Josette Sheeran enfatizou a necessidade de uma ação conjunta para conter o aumento global nos preços dos alimentos.

Sheeran disse que o preço do arroz na Ásia era de US$ 460 por tonelada no dia 3 de março. Sete semanas mais tarde, subiu para mais de US$ 1 mil por tonelada. Preços globais de trigo, arroz e milho quase dobraram no último ano.

Segundo a diretora do Programa Mundial de Alimentos, a crise requer ação em grande escala e em alto nível pela comunidade internacional, com foco em soluções de emergência e também de longo prazo.

Sheeran afirma que os gastos estão subindo milhões de dólares por semana, à medida que sobem os custos dos alimentos, e que, a curto prazo, a agência precisa de mais doações para suprir as necessidades alimentares dos que já dependem da organização.

— Hoje podemos comprar menos comida do que podíamos em junho - na verdade, 40% menos —, disse.

A diretora da agência da ONU acrescentou que a comunidade internacional precisa dar atenção a todos os fatores que produziram o aumento dos preços.

— Certamente, os biocombustíveis são um dos fatores. É preciso que os especialistas se reúnam e vejam quanta comida é necessária e como garantir que as pessoas obtenham (o alimento) a preços sustentáveis —, disse.  

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