Homem que matou a parlamentar Jo Cox, opositora do "Brexit", teria ligação com ideias de extrema-direita. Irmão afirma que ele sofria de doença mental e estava em tratamento. Polícia investiga motivo do crime
Por Redação, com agências internacionais - de Londres: A Grã-Bretanha entrou em luto nesta sexta-feira pela parlamentar Jo Cox após um homem armado matá-la em um ataque que colocou no limbo o referendo de 23 de junho sobre a permanência na União Europeia. Jo Cox, apoiadora da permanência britânica na UE, foi baleada e repetidamente esfaqueada em seu distrito eleitoral, próximo a Leeds, no norte da Inglaterra, por um homem que, segundo testemunhas, gritou "Grã-Bretanha primeiro".O homem que matou a deputada britânica Jo Cox na quinta-feira, a tiros e facadas, teria ligação com ideias de extrema-direita, segundo a organização antirracismo Southern Poverty Law Center (SPLC, na sigla em inglês).
Cox, de 41 anos, do Partido Trabalhista britânico, foi atacada em Birstall, em West Yorkshire, onde vivia com o marido e dois filhos, um de três e outro de cinco anos. Ela integrava a campanha pelo "Remain" (permanência do Reino Unido na União Europeia).
Segundo o SPLC, Mair seria apoiador da organização neonazista norteamericana National Alliance e também teria adquirido um livro para aprender como fazer uma arma caseira."Vizinhos o descrevem como 'solitário', mas ele também tem um longo histórico com o nacionalismo branco [ideologia que defende a superioridade dos brancos]", afirmou a organiza
O irmão do agressor, Scott Mair, disse ao jornal Daily Telegraph que o agressor sofria de doença mental, mas recebia tratamento. "Meu irmão não é violento e não é tão envolvido com a política", afirmou.
Políticos manifestaram seu pesar sobre a morte da deputada. O primeiro ministro britânico, David Cameron, afirmou que o país "perdeu uma grande estrela". "Ela era uma excelente parlamentar com enorme compaixão e um grande coração", afirmou. Em Berlim, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse que a morte de Cox foi "dramática".
Alvo de ameaças
Além de se opor a um "Brexit" (saída do Reino Unido da UE), a deputada era defensora dos direitos de refugiados sírios. Seu primeiro discurso no Parlamento britânico foi em defesa da imigração e da diversidade.
Em comunicado, a polícia britânica informou que Cox havia denunciado ameaças. Em março, um suspeito ligado às investigações foi preso, o qual não teria relação com o agressor que matou a deputada na quinta-feira.
– O homem posteriormente aceitou uma advertência policial. O homem que aceitou a advertência policial não é a pessoa sob custódia em West Yorkshire – disse a polícia em comunicado.
A seis dias do referendo sobre o futuro do Reino Unido na UE, discussões sobre identidade nacional e imigração têm sido acaloradas em meio ao risco do "Brexit". Pesquisas de opinião recentes mostram uma vantagem do "Leave" (saída).
O suspeito, que morava perto do local onde Jo foi morta, foi identificado pela mídia britânica como Thomas, ou Tommy, Mair. Ainda não foram feitas quaisquer acusações formais em relação ao crime.
A vizinha Diana Peters, de 65 anos, disse à agência inglesa de notícias Reuters que conhece Mair desde menino e que ele nunca recebia visitas.
– Estou totalmente arrasada, não quero acreditar nisso. Ele sempre me foi muito útil – disse. "Tudo que eu pedia a ele, ele fazia de boa vontade, e às vezes sem que eu precisasse pedir", acrescentou.
– Eu o vi no dia anterior. Estava levando meus gatos ao veterinário e ele me perguntou como eles estavam – acrescentou.
Mair ensinou inglês a estrangeiros na comunidade local durante vários anos e foi criado pelos avôs, disse ela, acrescentando que a mãe está em um asilo atualmente.
O jornal Guardian noticiou que a polícia está investigando as filiações políticas de Mair devido a relatos de testemunhas segundo as quais o suspeito gritou "a Grã-Bretanha primeiro" durante o ataque.
Os britânicos votam em um referendo no dia 23 de junho para decidir se o país irá continuar filiado à União Europeia ou não, e a campanha testemunhou momentos de agressividade.
Também surgiram relatos, que a Reuters não conseguiu verificar de maneira independente, ligando Mair a grupos de direita nos Estados Unidos e na África do Sul.