Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

Grã-Bretanha diz que fotos de abusos no Iraque são falsas

Quinta, 13 de Maio de 2004 às 18:58, por: CdB

O governo de Tony Blair classificou na quinta-feira como falsas as fotografias que supostamente mostram soldados britânicos cometendo abusos contra prisioneiros iraquianos, numa tentativa de conter o crescente escândalo sobre o caso.

O ministro das Forças Armadas, Adam Ingram, defendeu-se contra as acusações de não ter informado ao Parlamento tudo o que sabia.

"Essas fotos categoricamente não foram tiradas no Iraque," disse ele sobre as imagens publicadas pelo jornal The Daily Mirror, que mostravam supostos soldados britânicos urinando sobre um prisioneiro iraquiano encapuzado.

Ele desafiou o jornal a colaborar com a investigação militar que analisa o caso. As fotos são diferentes das que causaram escândalo nos Estados Unidos.

O Partido Conservador, de oposição, questionou o jornal sobre que atitude tomaria contra o editor Piers Morgan. "Aqueles que foram coniventes com a produção dessas fotos e aqueles que as publicaram cometeram um grande erro," disse o porta-voz Keith Simpson.

Uma fonte do regimento acusado dos maus-tratos disse que o próprio regimento tinha convicção de que as fotos eram falsas. "Eles estão furiosos," afirmou.

As autoridades admitem, no entanto, que o problema está longe de acabar. Relatórios da Cruz Vermelha e da Anistia Internacional levantaram dúvidas sobre o tratamento dado por britânicos a civis e prisioneiros no Iraque.

Para os conservadores, Ingram iludiu o Parlamento na semana passada ao dizer que não tinha recebido relatórios "adversos" sobre a conduta dos soldados britânicos. Ele alegou não ter visto um relatório completo, apenas uma carta de uma página com uma lista de pontos preocupantes.

A Anistia diz ter alertado Ingram sobre o assassinato desnecessário de civis -- incluindo uma menina de 8 anos -- no ano passado, e afirma que o ministro confirmou o recebimento da carta.

"A acusação principal é que eu recebi relatórios sobre abusos na prisão e não fiz nada. Isso simplesmente não se sustenta," disse Ingram.

O fato de um relatório da Cruz Vermelha de fevereiro não ter sido mostrado aos ministros também vem gerando críticas.

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