Uma ação militar contra o Irã, motivada pelas ambições nucleares do país, não está na agenda dos Estados Unidos nem da Europa, disse nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw.
Straw exortou Teerã a cooperar com o Ocidente para resolver o impasse sobre o seu programa nuclear.
- Não há possibilidade de irmos à guerra no Irã. Por quê? Porque não vai resolver a questão. Ninguém está falando sobre guerra contra o Irã. Não está na agenda dos Estados Unidos - declarou ele à Sky News durante a conferência anual do seu Partido Trabalhista, em Brighton.
Washington, que acusa Teerã de planejar a fabricação de armas nucleares, afirma que todas opções contra o Irã estão sobre a mesa, mas que não tem planos imediatos de usar a força. O Irã insiste que quer produzir somente combustível para usinas de energia.
A tensão entre o Ocidente e o Irã aumentou no sábado, depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução exigindo que o caso de Teerã seja levado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU)para possíveis sanções. A entidade afirmou que o país não convenceu o mundo de que suas ambições nucleares são totalmente pacíficas.
O Irã, irritado com a resolução, ameaçou retomar o enriquecimento de urânio - que pode ser usado na produção de materiais destinados a bombas - e impedir inspeções da ONU.
Apesar da resolução da AIEA, Straw disse à Rádio BBC que o Irã ainda pode cooperar.
- Deixamos a porta aberta para mais ação diplomática com o Irã e espero que eles aproveitem a oportunidade - observou.
Grã-Bretanha, França e Alemanha vinham negociando com o Irã sobre o tema nuclear, mas os contatos entraram em crise em agosto, depois que Teerã rejeitou um pacote de incentivos políticos e econômicos destinado a convencer o país a desistir do enriquecimento de urânio e de outras atividades que poderiam levar à fabricação de bombas.