Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Grã-Bretanha amarga pior retração econômica desde a década de 70

Sexta, 22 de Maio de 2009 às 09:49, por: CdB

A economia da Grã-Bretanha contabiliza a maior retração desde 1979 no primeiro trimestre, quando o gasto do consumidor teve a maior queda desde 1980 e as empresas usaram estoques em ritmo recorde. Analistas argumentam que provavelmente o pior já passou e agora o debate cresce em torno de quando o crescimento voltará e sobre quão sustentável será a retomada. Muitos esperam que a política monetária siga afrouxada por mais algum tempo.

O Banco da Inglaterra não tem clareza sobre as perspectivas futuras da economia, indicando que taxas positivas do PIB podem ser vistas na virada do ano, mas alertando que a fraqueza pode se estender caso os bancos não aumentem os financiamentos. A agência nacional de estatísticas informou nesta sexta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,9% sobre os três meses imediatamente anteriores, a maior queda desde o terceiro trimestre de 1979. O dado confirmou a divulgação preliminar e ficou em linha com a estimativa do mercado.

Sobre o primeiro trimestre de 2008, o PIB recuou 4,1%, a maior taxa negativa desde o quarto trimestre de 1980.

– Embora a economia britânica possa ter já passado o piso dessa recessão, qualquer recuperação parece que será construída sobre uma base muito frágil – disse Jonathan Loynes, economista-chefe do Capital Economics.

Vários componentes do PIB respaldam a visão de que uma recuperação sustentável pode não ocorrer ainda. Do lado dos gastos, apenas o do governo teve uma contribuição positiva para o PIB. O gasto do consumidor declinou 1,2% trimestre a trimestre, a maior baixa também desde o quarto trimestre de 1980. Os consumidores estão claramente sofrendo com o aumento do desemprego, a fraqueza do mercado imobiliário e a escassez do crédito. Apesar da libra fraca, a demanda externa por bens britânicos está caindo, em 8,3% no primeiro trimestre.

– É provável que tenhamos um longo período antes de a Grã-Bretanha retornar a um período de expansão robusta e estável – afirmou Colin Ellis, economista do Daiwa Securities.

Os estoques tiveram queda recorde, contribuindo com 0,6 ponto percentual para o declínio trimestral do PIB. Alguns analistas disseram que isso pode significar que as empresas atingiram o pico no uso de estoques para atender a demanda, indicando que os dados futuros do PIB podem ser menos afetados negativamente pelos estoques.

– Veremos novas quedas nos próximos trimestres, mas em ritmo inferior – disse Brian Hilliard, economista do Société Générale. Mas, sem um salto nas encomendas, isso pode ser uma falsa boa notícia.

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