Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

GP de Bahrein, um novo desafio no deserto

Quinta, 01 de Abril de 2004 às 10:30, por: CdB

O "Gulf Air Bahrain Grand Prix", terceira prova do Campeonato Mundial de Fórmula 1, que será disputado este fim de semana pela primeira vez no circuito de Sakhir, se apresenta como um verdadeiro desafio para os pilotos e suas equipes.

Como cada nova prova, a descoberta de um circuito constitui um verdadeiro salto no escuro para os pilotos e os engenheiros, bem como para os técnicos dos motores e dos pneus.

Mas quando esse traçado se situa, como no caso de Sakhir, em pleno deserto, e os caprichos do vento podem cobrir a pista, os inconvenientes são ainda maiores.

"O desafio imposto pela descoberta de um novo circuito é interessante", avaliou Pat Symonds, engenheiro da Renault.

"Enquanto os pilotos pretendem aproveitar ao máximo os treinos livres para identificar todas as sutilezas do traçado, os engenheiros já realizam há vários meses simulações em computadores", acrescentou.

Um computador precisa de apenas 40 segundos para simular uma volta, mas a programação é uma tarefa muito mais complicada e longa, já que foram necessários oito meses para controlar o desconhecido.

"Para começar bem uma simulação, primeiro é necessário ter em mãos um mapa muito preciso do circuito, no qual a trajetória do carro possa ser descrita matematicamente em três dimensões com relação à trajetória ideal", explicou Symonds.

As primeiras simulações para a estratégia de corrida começaram em janeiro, depois dos cálculos para estabelecer as relações das velocidades, o ajuste e a verificação da divisão das massas e a suspensão, além da primeira análise dos efeitos sobre os freios.

"Apesar do lado científico desse procedimento, um verdadeiro número de exceções podem gerar erros na simulação. Para corrigí-los é necessário um reconhecimento visual do circuito e, principalmente, as primeiras voltas na pista", admitiu Symonds.

Enquanto os ajustes iniciais do carro foram realizados no final de fevereiro e as especificações da montagem foram estabelecidas há duas semanas, os pilotos realizaram esta semana suas primeiras voltas de reconhecimento a pé para começar a memorizar os pontos visuais de freagem e analisar os pontos críticos.

Os pilotos terão direito na sexta-feira a sete voltas para se familiarizar com o traçado, mas os engenheiros continuarão enfrentando dificuldades.

"A grande aflição é o risco de que o motor absorva areia", disse Denis Chevrier, chefe de desenvolvimento de motor da Renault.

"Tecnicamente é impossível atuar contra esse elemento prejudicial. Vamos tentar minimizar sua ingestão com filtros localizados no sistema de respiração. Mas não há como abusar devido à perda de rendimento", agregou.

A areia também gera medo em Michael Schumacher (Ferrari), imbatível desde Melbourne.

"É o único temor, porque, mesmo que as coisas sejam sempre mais difíceis, a descoberta de um novo circuito é apaixonante", destacou o alemão.

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