Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Governo vai ressarcir prejuízos com gado morto por onças no Pantanal

Pela primeira vez no Brasil, pecuaristas serão ressarcidos pelas perdas de rebanho causadas por onças. Para tanto, deverão se comprometer a não matar os predadores. A iniciativa é da organização não-governamental Fundo para Conservação da Onça-Pintada e já conta com a adesão de nove proprietários da região do rio Negro, no Pantanal da Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul. (Leia Mais)

Segunda, 14 de Outubro de 2002 às 13:22, por: CdB

Pela primeira vez no Brasil, pecuaristas serão ressarcidos pelas perdas de rebanho causadas por onças. Para tanto, deverão se comprometer a não matar os predadores. A iniciativa é da organização não-governamental Fundo para Conservação da Onça-Pintada e já conta com a adesão de nove proprietários da região do rio Negro, no Pantanal da Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul. Os recursos para o reembolso virão da Conservation Internacional do Brasil (CI-Brasil) e será pago mediante comprovação técnica de que a perda do gado foi causada por onça-parda ou onça-pintada. O pacto firmado entre os proprietários e o Fundo estabelece uma moratória de dois anos à caça de onças. Segundo informações dos pecuaristas, a perda na região é estimada em 200 cabeças de gado por ano. O projeto é uma continuidade do trabalho de pesquisa dos biólogos Leandro Silveira e Anah Jácomo, que vem sendo patrocinado há mais de um ano pela CI-Brasil em parceria com o Earthwatch Institute, através do Centro de Pesquisa para Conservação da Biodiversidade, que funciona na Fazenda Rio Negro, propriedade da CI-Brasil no Pantanal mato-grossense. Os proprietários que participarem receberão ainda benefícios para seus funcionários e colaborarão com o estudo, permitindo a instalação de "armadilhas fotográficas" em suas fazendas. As fotografias dos animais ajudam o trabalho de monitoramento, pois através delas se pode identificar indivíduos e seus hábitos. Os biólogos trabalham há 11 anos com onças e, desde 1994, concentram sua pesquisa no Parque Nacional das Emas, em Goiás, estudando as últimas onças-pintadas dos campos do Cerrado. O parque é o último grande refúgio para onças no planalto central e os pesquisadores têm buscado, no último ano, as conexões naturais entre essa área e o Pantanal, dentro do Programa Corredor Ecológico Cerrado-Pantanal da CI-Brasil. "Mapeando áreas remanescentes de vegetação natural entre Pantanal e Cerrado, e conhecendo minuciosamente as populações de onças que existem entre eles, podemos identificar áreas prioritárias para sua conservação e batalhar para que sejam protegidas", diz Leandro Silveira,, que está à frente do Fundo para Conservação da Onça-Pintada. "Se populações das chapadas da região do Parque Nacional das Emas puderem realizar trocas genéticas com as populações de onças do Pantanal, o risco de extinção será reduzido". Com orçamento de R$ 200 mil para o primeiro ano, o Fundo vai beneficiar os peões e capatazes das fazendas, através de uma parceria com o Projeto UFMS Vai à Escola, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que propiciará assistência médico-odontológica e educação ambiental aos panteneiros e suas famílias. O objetivo é que recebam orientação para deixarem de caçar as onças. Animal-problema Os conflitos entre grandes predadores e pecuaristas são uma constante no Pantanal, onde a utilização de áreas de pastagens naturais para criação de gado não elimina os refúgios naturais de onças pardas e pintadas. Perto demais do gado, as onças acabam descobrindo que bois também podem ser caçados e a predação é quase inevitável. Frente aos prejuízos causados, as onças passam a ser abatidas sem nenhum critério científico de controle. Para Silveira, a conservação de predadores como a onça-pintada fora de áreas protegidas "é um desafio para a biologia da conservação e está claro que sem o apoio das pessoas que convivem com essas espécies, ela se torna praticamente impossível". Segundo Reinaldo Lourival, diretor da CI-Pantanal, porém, não são todas as onças que predam o gado, já que bois não fazem parte do cardápio natural da espécie. "Com o estudo, poderemos ter informações precisas sobre o número real de gado morto por onças e identificar os indivíduos da espécie que passaram a ter esse comportamento. Com isso, poderemos tomar decisões que envolvam mudanças no manejo das onças e do gado ou até a eliminação de uma onça-problema", diz. Lourival lembra, ainda, que esse sistema de ressarcimento da p

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