Ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau e o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, com a presença também do presidente da Eletrobrás, Aloísio Vasconcelos, participaram, da abertura do 11° Congresso Brasileiro de Energia, no Hotel Glória. Após a abertura, o presidente da Eletrobrás participou da mesa redonda "A expansão do setor elétrico", junto com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Vasconcelos Novais reafirmou, em seu discurso, que pretende propor "a internacionalização" da companhia.
- Por que a empresa não abre capital no mercado exterior? A economia deve crescer a 3,5% ou 4% ao ano e a energia tem que crescer a 5% ou a 6% ao ano - perguntou ele, após afirmar que a projeção para a economia até 2009 e 2010 é de equilíbrio.
A companhia também informou, há uma semana, que poderá lançar seus papéis na Bolsa de Nova York ainda este ano. A Eletrobras prepara até meados de setembro toda a documentação necessária para que a empresa tenha American Depositary Receipts (ADRs) em nível II, o que permitirá oferta pública dos papéis da estatal na bolsa novaiorquina.
Os ADRs são certificados, emitido por bancos norte-americanos, que representam ações de uma empresa fora dos Estados Unidos. Desde 1995, a empresa só tinha ADRs em nível I, o que permitia negociação no mercado de balcão norte-americano, onde são negociadas ações de empresas não registradas na Bolsas de Valores de NY, e sem possibilidade de oferta pública.
Lucro
A Eletrobrás registrou um lucro no segundo trimestre de R$ 462,3 milhões, contra um prejuízo de R$ 612 milhões no mesmo período de 2005. No acumulado do semestre, a empresa obteve um resultado positivo de R$ 320,4 milhões, contra um negativo de R$ 36,4 milhões nos primeiros seis meses do ano passado. O resultado do segundo trimestre assegurou aos acionistas o equivalente a R$ 0,57 por lote de mil ações.
Três fatores alavancaram os resultados da companhia neste semestre. O primeiro foi o câmbio. Nos primeiros seis meses de 2005, o dólar americano teve uma desvalorização em relação ao real de 11,46%, enquanto no mesmo período desse ano, a valorização da moeda brasileira caiu para 7,54% em relação à moeda americana. No trimestre, essa mudança de curva foi ainda mais acentuada. Entre abril e junho do ano passado, o real se valorizou 11,84% em relação ao dólar, enquanto nos mesmos três meses de 2006, a valorização foi de apenas 0,37%.
O segundo fator que contribuiu para o bom resultado da Eletrobrás no semestre foi o ganho financeiro decorrente dos empréstimos e financiamentos concedidos pela empresa, que gerou pouco mais de $ 1 bilhão de receita nos primeiros seis meses de 2006. O terceiro ponto importante foi a desoneração da companhia, obtida pela conversão do empréstimo compulsório, no valor de R$ 3,5 bilhões, ocorrida em 2005. Essa desoneração reduziu as despesas financeiras em cerca de R$ 273 milhões no primeiro semestre desse ano.
O balanço da Eletrobrás também mostra o impacto positivo das controladas em seu resultado. No segundo trimestre de 2006, a holding recebeu R$ 160,6 milhões por sua participação nas controladas, fator que representou uma receita de R$ 671,6 milhões nos primeiros seis meses desse ano. Nesse setor, o destaque coube à melhoria do resultado da Eletronorte, que teve um prejuízo de cerca de R$ 269 milhões no semestre, bem inferior ao registrado no mesmo período de 2005, que atingiu R$ 415,1 milhões.